Carnaval

Isabele Reis – Acadêmica do 7° semestre do curso de Relações Internacionais da UNAMA

A Teoria Construtivista das Relações Internacionais apresentada primeiramente  por volta de 1989 com a obra “World of Our Making” de Nicholas Onuf e depois aprimorada por outros teóricos como Alexander Wendt, tem como uma de suas principais premissas a ideia de que a realidade que presenciamos é fruto de uma construção social, na qual tornou-se desta forma por consequência de uma série de escolhas, das relações entre atores e estrutura, na qual cada uma afeta e transforma o mundo que vivemos.

Criada para observar o sistema, a teoria construtivista assegura que o mundo como é atualmente é fruto das escolhas que fizemos. Além disso, existe a ideia de agente-estrutura em que ambos se influenciam mas em nenhum momento um antecede ao outro, seja em existência ou influência.

Surgido no Brasil por volta do século XVII e adaptado a forma que é hoje, o Carnaval se tornou uma festa típica por toda extensão territorial brasileira, cativando multidões e trazendo todos os anos turistas e reconhecimento mundial pela grande celebração. Em Pernambuco com o frevo, no Amazonas com o boi bumbá, em São Paulo e Rio de Janeiro com os desfiles de carnaval ou os tradicionais blocos de carnaval que estão presentes em todo o país; o carnaval tornou-se uma tradição enraizada na sociedade brasileira e se instalou no imaginário mundial como a “folia brasileira”, gerando uma quantidade significativa de turistas internacionais e uma admiração ampliada pela cultura do Brasil.

Atualmente o carnaval movimenta cada estado com sua especificidade, mesclada com a influência de culturas de nações que povoaram determinadas regiões, transformando cada estado em uma festa única; que apesar de ser em uma data específica, mobiliza foliões e organizadores o ano inteiro.

A partir da construção social do que é a festa carnavalesca, o carnaval caracteriza-se, nos dias de hoje, como a manifestação cultural brasileira de maior intensidade, dimensão e notoriedade. Essa festa caracteriza-se atualmente como elemento cultural inteiramente pertencente à nação brasileira, movido pela completa adaptação de acordo com os anos e escolhas de seu povo, e com a construção dessa identidade popular, a afirmação de uma originalidade máxima da manifestação cultural do país. Desta forma, a diversidade existente no Brasil foi uma peça imprescindível para a construção de uma cultura rica e única, como forma vital de expressão e delineadora da realidade social.

Referências:

DELGADO, A. K. C. O Carnaval como Elemento Identitário e Atrativo Turístico: Análise do Projeto Folia de Rua em João Pessoa (PB). Revista de Cultura e Turismo, v. 6, n. 04, out./2012.

ADLER, Emanuel. O construtivismo no estudo das Relações Internacionais. Lua Nova, n. 47, p. 201-246, 1999.

NOGUEIRA, João Pontes; MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais: correntes e debates. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.