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Thayse Santos – Acadêmica do 5° Semestre de Relações Internacionais da UNAMA

No dia 27 de janeiro de 1945, foi encontrado pelo exército soviético o Auschwitz-Birkenau, na Polônia, o maior complexo de campos de concentração e extermínio construído durante a Alemanha nazista, onde foram mortos cerca de 1,1 milhão de pessoas. Em decorrência disso, é celebrada essa data em memória às vitimas visando uma reflexão do pior crime contra a humanidade já cometido na história. 

A partir das teorias construtivistas de Relações Internacionais é possível destacar a Análise de Discurso como um mecanismo para melhor compreender o poder da linguagem na construção do mundo. Em vista disso, Nicholas Onuf (1998) entende a prática da fala ou ação física como determinante para a realidade social e mediante a isso é estabelecida a realidade material. Para o autor, e linguagem é percebida como forma de influenciar uma conduta.

Onuf considera também que a sociedade e os indivíduos são fortemente interligados e para compreendê-los é necessário entender as regras que são estabelecidas e analisadas por meio do ato de fala. Logo, associam essas duas partes por direcionar as pessoas, de forma legal ou não, a como se comportar e possibilita a alteração do cenário internacional por dar condições de novos agentes se manifestarem. Dessa maneira, os discursos são legitimados conforme produzem regras e são empregues em práticas políticas , sendo adotadas como princípios.

O holocausto mudou completamente o conceito de humanidade de maneira global após a Segunda Guerra Mundial, pois consistiu no extermínio de, aproximadamente, 20 milhões de pessoas, dessas, seis milhões eram judeus, visto que o antissemitismo era o ponto central sob o regime nazista, os restantes eram negros, Ciganos, homossexuais, dissidentes políticos, pessoas com deficiência mental ou física e outras minorias sociais. Sendo isso, resultado de políticas expansionistas e de uma ideologia racista que foi disseminada à população apresentando a concepção de uma superioridade racial germânica que tinha o propósito de “purificação” da sociedade para restabelecer a “ordem natural” que foi corrompida durante a história.

Visto isso, é possível observar que a ascendência do governo nazista se deu a partir de uma instabilidade política que havia se instaurado na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. A população procurava por grandes mudanças, já que estariam insatisfeitos com o sistema politico da época e buscavam por mudanças. Então, Hitler ganhou grande destaque por seu poder de oratória, conseguindo conquistar interesses a partir de seus discursos que eram exercidos com uma linguagem simples, no entanto, tinham uma imensa capacidade de persuasão por conta de suas habilidades e técnicas aplicadas. 

Nesse sentido, perante as perspectivas de Onuf, é dada a relevância do discurso e seu poder de persuasão para a construção de uma realidade social, fator este , que teve forte impacto durante a Segunda Guerra Mundial a partir das técnicas de linguagem de Adolf Hitler, que se tornou um agente de grande influência diante de um país instável, legitimando condutas que levaram o Estado a cometer crimes em uma escala jamais vista na História, modificando a percepção de violência, humanidade e civilização, principalmente em relação aos judeus, em detrimento da sobrevivência e “purificação” da população alemã acreditando que havia uma “raça superior” e viabilizando a morte de milhões de pessoas. 

Referências

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POR QUE votamos em Hitler: Por que a Alemanha, o país com um dos melhores sistemas de educação pública e a maior concentração de doutores do mundo na época, sucumbiu a um charlatão fascista?. El Pais, 8 out. 2018. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/06/opinion/1538852257_174248.html&gt;. Acesso em: 18 jan. 2020.

HOLOCAUSTO: A FACETA MÁXIMA DO ANTISSEMITISMO. Politize!, 18 jul. 2018. Disponível em: <https://www.politize.com.br/holocausto-como-foi/#toggle-id-1-closed&gt;. Acesso em: 18 jan. 2020.

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