As Hegemonias Nucleares e sua dominação sobre as periferias do mundo: o atraso de investimentos tecnológicos no brasil e sua dependência com o cenário internacional.

Gabriel Rocha Monteiro – Acadêmico do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Com o avanço das civilizações, se obteve um lastro processo de evolução tecno-científica. A ciência é a fonte do descobrimento para “o novo”, que o ser humano está continuamente em busca de alcançar. Por outro lado, a tecnologia se provou de fato um mecanismo de poder para quem a possui ou a descobre, como no início do século XX durante a segunda guerra mundial com novas tecnologias bélicas e nucleares, transformando completamente o cenário internacional com o surgimento de hegemonias que detém, desde então, o controle do Sistema Internacional. Sendo assim, o Sistema Internacional se moldou em função dos Estados mais fortes os quais dominam os mais fracos – Países periféricos ou de terceiro mundo -, formando assim uma ideia de dependência para estes. Desse modo, à luz da Teoria da Dependência, a qual crítica a formas de dependências externas no desenvolvimento do terceiro mundo, o teórico dependentista André Gunder Frank difunde a ideia, apregoa que os países periféricos devem cortar ou, no mínimo, limitar de modo rigoroso seus laços com o mercado mundial. (FRANK, André Gunder 1969)

Logo após a segunda grande guerra, foi notória a mudança radical no poder hegemônico mundial, passando da Inglaterra para os Estados Unidos, ambos do lado vencedor do conflito. A partir desse momento na história, o mundo adquiriu novas perspectivas e objetivos, que iam além de poderio bélico. A exploração acerca da ciência e tecnologia se mostraram fundamentais para o desenvolvimento hegemônico estatal. Foi provado que o avanço científico poderia mudar o rumo da humanidade, como em Hiroshima e Nagasaki, onde pela primeira vez foi usada a bomba atômica.

Dessa maneira, com a força do avanço científico e tecnológico se tornando o principal objetivo mundial, visto o poder de subjugação que uma bomba atômica tem, países considerados hegemônicos no sistema internacional começaram a apostar na ciência e tecnologia para o aprimoramento militar e bélico, podendo assim manterem a sua hegemonia global. Em 2017 foi constatado pelo Instituto de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (SIPRI) que nove países possuem armas nucleares, sendo eles: Estados Unidos, Rússia, Paquistão, Coréia do Norte, França, Reino Unido, China, Israel e Índia. Desses citados, cinco são do Conselho de Segurança da ONU (China, Reino Unido, França, Estados Unidos e Rússia). Observa-se então o empenho desses respectivos estados na melhoria de suas tecnologias bélicas. Os EUA, maior potência militar do mundo, detém um orçamento de 400 Bilhões de dólares em tecnologias nucleares segundo o Escritório de Orçamentos do Congresso norte-americano.

Da mesma forma que o avanço tecnológico em países poderosos é notável e crescente, em Estados periféricos ou semiperiféricos é observado uma deficiência em relação a esse desenvolvimento. Países com ausência de incentivos em áreas de pesquisas nucleares dependem de outros países para a sua inovação, o que causa um estado de subordinação e dominação no Sistema Internacional. Teóricos dependentistas defendem que os países do terceiro mundo foram pouco desenvolvidos como um subproduto intencional do desenvolvimento do ocidente (mais precisamente américa do Norte e Europa). Complementando ainda, o subdesenvolvimento é um processo pelo qual forças maiores se expandem para subjugar ou empobrecer o terceiro mundo. André Gunder Frank, teórico da dependência radical apresenta que a confiança do Estado na própria força e na cooperação mútua possibilita o desenvolvimento real fora do alcance da exploração do mercado mundial, atribuindo assim, melhores chances de desenvolvimentos tecno-científicos. (FRANK, Andre Gunder, 1969;1977).

O Brasil atualmente pode ser – e é também – considerado um país de terceiro mundo (emergente). Segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, acerca das questões da ciência, tecnologia e inovação, o Brasil sofre um crescente retrocesso, afirmando a presidente Helena Nader, em uma entrevista, que a falta de investimento na ciência aumenta a dependência de tecnologias internacionais e isso, segundo Gunder Frank, é o que torna o Brasil dependente e dominado por países desenvolvidos. Recentemente, durante um ataque estadunidense em solo Iraniano que causou a morte de um general e nos levou mais uma vez para um clima de tensão internacional e, novamente, estivemos diante de um dilema nuclear de ameaças.

 O atual chefe de Estado Brasileiro, Jair Messias Bolsonaro, em uma entrevista a um telejornal, afirmou que o Brasil não tem poderio militar nuclear para opinar sem sofrer retaliações. Isso prova que o avanço tecno-científico é de extrema importância hodiernamente, pois vivemos na era nuclear e a força e opinião global é formada pela quantidade de ogivas que cada país possui, segundo o deputado Enéas Carneiro (morto em 2007), dizia que o Brasil deveria construir uma bomba atômica para se impor diante da comunidade Internacional. Estar fora do cenário tecnológico mundial – e principalmente fora do escopo de países com armas nucleares -, do avanço e aprimoramento cientifico significa a dependência que consequentemente gera a dominação de outros Estados fortes para com os fracos.

Referencias:

Frank, A.G – Latin America – underdevelopment or revolution? – Nova York: Montly Review Press, 1969.

Frank, A.G. – “Dependence is Dead, Long Live Dependence and the Class Struggle” – an answer to critics – World Development, 1977.

Georg, SORENSEN e Robert, JACKSON – Introductions to International Relations – theories and approaches. – Inglaterra: Oxford University Press, 2003.p. 280 a 281 e 334 a 335.

SBPC – Falta na ciência aumenta dependência de tecnologias internacionais, 2017 [Internet] Disponível em: <http://portal.sbpcnet.org.br/noticias/falta-de-investimento-na-ciencia-aumenta-dependencia-de-tecnologias-internacionais-alerta-presidente-da-sbpc/>. Acesso em: 04/01/2020.

UOL – Bolsonaro trata ataque dos EUA a general do Irã como combate ao terrorismo, 2020 [Internet] Disponível em:< https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/01/03/brasil-nao-tem-poderio-nuclear-para-opinar-sobre-eua-x-ira-diz-bolsonaro.htm >. Acesso em: 06/01/2020

BBC – EUA e Irã podem entrar em guerra?, 2020 [Internet] Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51009288 >. Acesso em: 06/01/2020

EL PAÍS – Nove países com poder nuclear têm um arsenal de 14.934 armas, 2017 [Internet] Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51009288>Acesso em: 06/01/2020

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