RESENHA: TEERÃ, RAMALÁ E DOHA: MEMÓRIAS DA POLÍTICA EXTERNA ALTIVA E ATIVA (LIVRO)

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Maria Eduarda Diniz – Acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Em um momento em que uma guerra entre Irã e Estados Unidos se faz possível , um livro capaz de elucidar um pouco essa relação do Oriente Médio com o mundo é muito bem-vindo. Esse é o caso de Teerã, Ramalá e Doha (2018), o terceiro livro lançado pelo diplomata Celso Amorim, baseado em seus relatos pessoais e profissionais de seus encontros diplomáticos. O mesmo se divide em três partes, tratando da relação e da participação do Brasil em questões envolvendo o Oriente Médio. A primeira parte é referente a Declaração de Teerã, um acordo entre Turquia, Irã e Brasil relativo à questão nuclear iraniana; a segunda parte trata da relação histórica entre Brasil e o Oriente Médio; e, por fim, a terceira parte foca nas Rodadas Doha, e na participação brasileira nas negociações.

Baseado principalmente nas memórias de Celso Amorim, o livro apresenta os bastidores de diversas ações da diplomacia brasileira, além de certas “estratégias” utilizadas pela diplomacia das grandes potências, mostrando como aconteciam as negociações por fora e por baixo dos panos. O livro se destina a mostrar a motivação brasileira por trás de sua aproximação com vários países do Oriente Médio, especialmente sua relação com o Irã. O país persa é apresentado como um negociador astuto, mas flexível às ideias brasileiras, muito mais do que a qualquer outro país.

Amorim, ao mostrar o passo a passo de algumas negociações faz suas próprias observações acerca de oportunidades perdidas que poderiam ter sido proveitosas, ou até mais proveitosas do que realmente o foram, destacando a presença brasileira em vários momentos importantes deste século XXI. Porém, com isso, é possível entender a iniciativa de certas potências, ou melhor, a falta de iniciativa de certas potências para com o Brasil, por estarem decididas a manter seu status e a lidar da sua maneira com a situação, preferindo que a intervenção brasileira fosse mais limitada.

A obra mostra como a história da diplomacia brasileira sempre leva para tentativas de paz e de conciliação, e de como essa história foi o que projetou o país positivamente para o resto do mundo. Esta imagem, aliás, é entendida como recortada, pois, enquanto a mídia brasileira via com maus olhos várias decisões multilaterais brasileiras, como a ligação com o Irã, a imprensa internacional via o Brasil com bons olhos havendo, assim, uma discrepância entre as percepções sobre o mesmo país. Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa altiva e ativa é uma ode ao multilateralismo e a diplomacia da paz, característica histórica brasileira, e um livro extremamente importante para entender o papel do Brasil nas negociações com o Irã.

REFERÊNCIAS:

AMORIM, Celso. Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva. São Paulo: editora Benvirá, 2018.

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