comercio-exterior

Eduardo Oliveira, acadêmico do 5º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Raúl Prebisch, economista argentino e intelectual da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL) trouxe, em 1948, debates acerca da relação Centro-Periferia. Segundo ele, a divisão internacional do trabalho dava aos países que compõem a América Latina, o papel de abastecer de alimentos e matérias primas os grandes centros urbanos. Desse modo, é visível a distinção entre os países exportadores de bens primários e os que exportam produtos com maior valor agregado. Destarte, desenvolve-se por Prebisch a Teoria da Deterioração dos Termos de Troca, tendo como principal objetivo analisar a inserção das nações periféricas na economia internacional. 

Como já descrito, as nações periféricas ficavam com a função de produzir produtos primários, os quais, segundo foi retratado por Mendoça e Pires (2012), detinham “baixa elasticidade-preço em relação à demanda e por isso tendiam a deteriorar seu preço em relação aos produtos ofertados pelos países centrais, industrializados, fomentadores de emprego, e do aumento da demanda efetiva”.

No estudo das Relações Internacionais, diversas são as variáveis levadas em conta ao intento de se analisar um fato decorrente da interação entre atores. Sendo assim, a área das Relações Internacionais floresceu como uma ciência multidisciplinar (COUTINHO, 2012) atraindo diversas faces epistemológicas, dentre as quais, a Economia Política Internacional (EPI) ganha destaque. 

A EPI, vista em GONÇALVES (2005), é também apresentada a partir de uma profunda relação entre dois importantes conceitos – Riqueza e Poder. Tal definição é capaz de abranger a complexidade do sistema internacional – arena de decisão dos diversos atores/agentes internacionais – o qual é divido por GONÇALVES (2005, p.15) em três subsistemas interdependentes: político, o cultural e o econômico. 

Economia e política, riqueza e poder, estado e mercado, são de fato o cerne das relações humanas, os quais tiveram sua expansão a partir da evolução do capitalismo e suas instituições reguladoras, “desde a criação das instituições de Bretton Woods e do Plano Marshall, se testemunhou uma progressiva liberalização comercial” (SARQUIS, 2011).

Ao longo dos séculos, as relações comerciais se expandiram e regras foram criadas a partir de organizações liberalizantes com o intuito de facilitar, organizar e tornar justo o comércio internacional. Contudo, mesmo dotando-se de tais burocracias, assimetrias estruturais marcam as interações mercadológicas entre países considerados desenvolvidos e os à margem do desenvolvimento. 

Segundo dados divulgados pelo G1, em 2019 as exportações brasileiras recuaram 5,9%, influenciadas pela redução de preços das commodities – produtos básicos, como a soja – sendo a balança comercial brasileira muito dependente da exportação de tal produto.  

A desaceleração econômica mundial é um fato, e com ela, os já injustiçados pela Divisão Internacional do Trabalho sentem ainda mais o peso em suas balanças comerciais. A diversificação da pauta de exportação, como já propunha a escola de pensamento econômico estruturalista, é fundamental. Mas para isso, o jogo econômico mundial deve ser reformulado. O investimento em pesquisas que acarretem o surgimento de novas tecnologias é de fundamental importância para que possamos começar a fabricar produtos com maior valor agregado. 

A valorização da produção nacional, o investimento em parques industriais ao ponto de se poder produzir em larga escala diversos segmentos de bens industrializados, produzindo e exportando máquinas e equipamentos, diminuído, portanto, a dependência do fornecimento de matéria prima, reduzindo os crescentes desafios impostos pela estrutura do comércio internacional. 

REFERÊNCIAS: 

COUTINHO, Marcelo. Relações Internacionais: Evolução E Teorias Da Ciência Do Mundo – Rio de janeiro: Gramma Livraria e Editora, 2012. 

GERBELLI, Luiz Guilherme. Desaceleração mundial e atividade local fraca tiram fôlego do comércio exterior do Brasil – G1, 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/09/09/desaceleracao-mundial-e-atividade-local-fraca-tiram-folego-do-comercio-exterior-do-brasil.ghtml. Acesso em: 09/01/2020.  

GONÇALVES, Reinaldo. Economia Política Internacional – Rio de Janeiro: Elsevier Editora, 2005. 

MENDONÇA, Marina Gusmão de; PIRES, Marcos Cordeiro. Formação Econômica da América Latina, 1.Ed. São Paulo: LCTE Editora, 2012

SOUZA, Nali de Jesus de. Uma introdução à história do pensamento econômico, 2015. 

SARQUIS, Sarquis José Buainain. Comércio Internacional e Crescimento Econômico no Brasil. – Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2011.