Os últimos anos da década da biodiversidade da ONU

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Thaiana de Oliveira Luzia- Acadêmica do 2º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A biodiversidade ou diversidade biológica representa a variedade da vida na Terra e é tão necessária para a natureza quanto para a humanidade que provém da diversidade cultural para a construção de sociedades mais fortes e resilientes, equipadas com mecanismos que precisam para enfrentar os desafios da atualidade e do futuro. Sendo esta uma das principais pautas na agenda internacional e que podem ter reverberações em todo o planeta é viável analisar os últimos anos da década da biodiversidade nas perspectivas das Relações Internacionais.

As Nações Unidas anunciaram o período de 2011 à 2020 como a Década da Biodiversidade, depois de 2010 ter sido o Ano Internacional da Biodiversidade, o objetivo central dessas celebrações era ter inserido como pauta prioritária na agenda de governos e da população mundial a preservação do patrimônio natural, propagando a ideia de que ela é essencial para a manutenção de toda a vida no planeta, do combate às mudanças climáticas e a sustentação da economia global. Ela foi lançada no dia dezessete de dezembro de 2010 em uma cerimônia organizada na cidade de Kanazawa no Japão.

Dessa forma, a ONU queria com essa ação programar planos estratégicos de preservação da natureza e encorajar os governos a desenvolver e comunicar resultados nacionais na implementação do Plano Estratégico para Biodiversidade para assim viver em harmonia com a natureza. A principal meta desse projeto era garantir que até 2020 todas as pessoas do mundo estivessem cientes do significado da biodiversidade e seu valor, devido à urgência de concretização de soluções eficazes para a crise ambiental global que constitui em um desafio maior.

Hoje existe o reconhecimento do valor global da diversidade biológica, porém, várias espécies estão sendo reduzidas, de forma significante, devido às atividades humanas. Um duro relatório feito pela ONU em maio de 2019, acerca do impacto humano sobre a natureza mostra que quase um milhão de espécies de animais e plantas correm risco de extinção dentro de décadas, esse relatório examinou cinco fatores impulsionadores de mudanças “sem precedentes” na biodiversidade e em ecossistemas ao longo dos últimos 50 anos. Os impulsionadores foram identificados como: mudanças no uso da terra e do mar; exploração direta de organismos; mudança climática, poluição e invasão de espécies estrangeiras.

No âmbito das análises de Relações Internacionais sob a luz do paradigma pluralista podemos analisar essa questão como um grupo de interesses entre os Estados em viés sociais e econômicos focando mais nos indivíduos acreditando em outras corporações onde os Estados não têm primazia no sistema internacional e em que as necessidades sociais e técnicas estimulam as elites e burocracias a cooperar em setores específicos e assim garantindo um transbordamento de integração para outras áreas e países. Com isso, a interdependência nascente da conexão entre nações evidencia o caráter imediato dos fenômenos e por consequência, das decisões de politica externa.

Assim, o paradigma supracitado explica a cooperação entre os Estados para um bem maior envolvendo mais atores no Sistema Internacional. Portanto, as transformações exigidas às sociedades para travar os problemas que decorrem da perda de biodiversidade são avassaladoras, mas necessárias. E, embora sejam globais nos seus objetivos, requerem uma implementação regional. Têm de ter como alvo prioritário a promoção de um desenvolvimento sustentável que assuma os valores ambientais como motor do crescimento económico e social.

Um exemplo dos ocorridos nos últimos anos dessa década foram os incêndios que se alastraram pela Amazônia e tornaram-se uma grande preocupação mundial ao longo dos últimos dias. Em que teve uma relevante repercussão no cenário internacional com sua Biodiversidade perdida em queimadas e que levará décadas para se recuperar. Por isso se faz importante a conscientização de todo o sistema internacional em relação a preservação da biodiversidade em cenário mundial.

Análogo a isso, as ideias de Joseph Nye sobre interdependência e soft Power que se baseiam na capacidade de persuasão e cooperação são evidentes nas práticas das Nações Unidas, dando espaço para diálogos entre os Estados centrais e periféricos. Seguindo essa lógica, Joseph Nye fala sobre a presença de vários atores dentro do sistema internacional, repartindo espaço com os Estados, o qual os problemas transcendem as fronteiras, onde por vezes envolve todos os atores do sistema internacional.

Em suma, fica explicito o fim da década da biodiversidade, mas não o fim da ideologia de promover e preservá-la, mesmo dentre os últimos acontecimentos a “década da biodiversidade” deve ser mantida por mais e mais anos. Destarte, as diferenças humanas são passíveis de conciliação ou de acordo por meio do diálogo, assim como a cooperação entre os mesmos é necessária para que o sistema internacional funcione de forma mais pacífica.

REFERÊNCIAS:

ONU inicia Década da Biodiversidade https://nacoesunidas.org/onu-inicia-decada-da-biodiversidade/

United Nations Decade on Biodiversity – Official Video https://www.youtube.com/watch?v=zpM-nkhZCgk

Relatório da ONU mostra que 1 milhão de espécies de animais e plantas enfrentam risco de extinção https://nacoesunidas.org/relatorio-da-onu-mostra-que-1-milhao-de-especies-de-animais-e-plantas-enfrentam-risco-de-extincao/

Recorde de queimadas na Amazônia causa perda de biodiversidade https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/recorde-de-queimadas-na-amazonia-causa-perda-de-biodiversidade-18583285

JATOBÁ, Daniel. Teoria das Relações Internacionais. p.  Saraiva: São Paulo, 2013.

ARRAES. Virgilio, GEHRE Thiago, Introdução ao estudo das Relações Internacionais. Editora Saraiva P.48.1 edição.

NYE, Joseph. Cooperação e conflito nas relações internacionais: uma leitura essencial para entender as principais questões de política no mundo.. São Paulo: Editora Gente, 2008.

 

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