Retrospectiva 2019

 

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O ano de 2019 foi bastante agitado. Os acontecimentos, por mais que seletos a uma determinada região do globo, tiveram reverberações internacionais. Incontáveis debates, no contexto político, econômico e ambiental, não impediram que tragédias, pré-anunciadas, ocorressem. Contudo, 2019 também foi um ano de reconhecimento, mas não de algo inexistente, e sim do que foi esquecida, a voz da sociedade civil.

No Brasil, Jair Bolsonaro, candidato de extrema-direita, tomou posse como presidente do país. Sua investidura como Chefe de Estado pôs fim a mais de uma década de domínio do Partido dos Trabalhadores (PT) no mais alto cargo político do país. Passada a euforia política, uma tragédia assolou o Brasil. Uma barragem da mineradora Vale, localizada no estado de Minas Gerais, rompeu e destruiu centenas de casas perto da cidade de Brumadinho. Esse desastre deixou mais de 200 mortos e cerca de 93 desaparecidos, além de incontáveis danos ao meio ambiente.

No país, o foco da vez tornou-se o político. O site The Intercept Brazil divulgou uma série de notícias e áudios que questionavam se a conduta do ex-juiz, agora Ministro da Justiça, Sérgio Moro foi imparcial e sem viés  político na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A “Vaza a Jato”, como ficou conhecida, foi apoiada por inúmeras pessoas, que pressionaram o Ministro Moro a renunciar o cargo.

Na Venezuela, incontáveis protestos se sucederam no  país em meio ao impasse entre Nicolás Maduro e o líder da oposição, Juan Guaidó. O levante popular teve início após Guaidó se autoproclamar presidente interino da Venezuela. Manifestante pró Maduro, além do exército nacional, se confrontou com a oposição diversas vezes na capital Caracas. Em meio às turbulências ocorridas na América do Sul, o bloco regional, Mercosul, conseguiu um acordo comercial com a União Europeia (EU). As negociações entre os dois blocos econômicos perduraram por 20 anos até a conclusão do acordo.

Na América do Norte, os Estados Unidos chegaram a um ponto primordial nas relações com a Coreia do Norte. O presidente Donald Trump se tornou o primeiro Chefe de Estado a pisar em território norte coreano ao encontrar Kim Jong-un, líder do país, na zona desmilitarizada. Contudo, a política anti-imigração de Trump a incontáveis fluxos de pessoas que ansiavam adentrar no território estadunidense, ocasionou um dos episódios mais angustiantes dessa situação.

Pai e filha, oriundos de El Salvador, foram encontrados às margens de um rio, onde eles se afogaram quando tentavam atravessar a fronteira México-Estados Unidos. A propagação anti-imigração de Trump, desde que chegou a Casa Branca, foi relacionada ao massacre que ocorreu em El Paso, em agosto de 2019. O ataque, de cunho racista, deixou um total de 20 vítimas e gerou críticas ao presidente Trump por encorajar o medo aos hispânicos.

O segundo semestre de 2019 foi marcado por eleições e diversos protestos. Uns desejavam mudanças nacionais, outros por mudanças que visam a proteção do planeta. Acordos internacionais firmados outrora chegaram ao fim. A exemplo tem-se a saída formal dos Estados Unidos do Tratado de Forças Nucleares de Faixa Intermediária com a Rússia. A retirada põe fim a um pacto de controle de armas que limitou o desenvolvimento de mísseis.

Após 5 meses de intensos protestos em Hong Kong, a Chefe de Governo, Carrie Lam, retirou o projeto de Lei de extradição que originou os protestos. A medida permitiria pela primeira vez a possibilidade de extradição para a China Continental. Um dos mais expoentes protestos foram as manifestações climáticas que ocorreram em todo mundo. Inspirados pela ativista Greta Thunberg, milhões de pessoas realizaram uma greve climática global. Manifestante em todos os continentes agitavam cartazes no que foi a maior demonstração de todos os tempos sobre o aquecimento global causada por humanos.

No mês de outubro, as atenções se voltaram para a reunião no Vaticano que tratou a Amazônia como problema mundial. O Sínodo da Amazônia teve como tema principal a destruição ambiental e as mudanças climáticas. O mês seguinte foi marcado pela morte do chefe do Estado Islâmico, Abu Bakr-al Baghdadi. No Brasil, após três meses de investigação, a Polícia Federal identificou um navio de bandeira grega como responsável pelo vazamento de óleo que atingiu o noroeste brasileiro e contaminou mais de 250 praias.

Nesse período, a soltura do ex-presidente Lula tomou conta dos noticiários. Luiz Inácio Lula da Silva ficou preso por 580 dias até recuperar sua liberdade. A saída de Lula da cadeia ocorreu depois que o Supremo Tribunal Federal mudou um aspecto da jurisprudência que lhe permitiu continuar apelando, mas em liberdade.

Ainda na América do Sul, depois de 18 dias de protestos desde a eleição presidencial, Evo Morales e o vice-presidente, Álvaro Garcia, renunciaram a seus cargos após pressão popular com o apoio das Forças Armadas. O líder do protesto social, Luiz Fernando Camacho, pediu a formação de uma junta de Governo com o alto comando militar e policial. Enquanto Evo Morales renunciava na Bolívia, Luis Lacalle Pou foi confirmado, pelas autoridades eleitorais, como o novo presidente do Uruguai. Pou, líder da oposição no país, encerrou 15 anos de governo da Frente Ampla.

No mês de dezembro mais de 800.000 mil pessoas marcharam contra os planos que o presidente da França, Emmanuel Macron, queria fazer no sistema de pensões. Os manifestantes protestavam, pois as mudanças na previdência forçariam milhões de pessoas a trabalhar mais, com salários baixos. Enquanto isso, Estados Unidos, México e Canadá assinaram a versão final do Tratado de Livre Comércio. Embora as negociações tivessem terminado em novembro de 2018, os Estados Unidos exigiram que o México aumentasse os padrões das condições de trabalho.

Na Inglaterra, a novela Brexit ganhou novos episódios. Após se tornar o primeiro ministro nas eleições ocorridas em julho, Boris Johnson admitiu que o foco fosse à saída da Inglaterra da União Europeia. Contudo, Johnson não tinha maioria na Câmara dos Comuns e mais uma vez o acordo não fluiu. Porém, nas eleições de dezembro, o partido Conservador conseguiu uma vitória esmagadora. Após ganhar novamente para o cargo de primeiro ministro, e com maioria na Câmara dos Comuns, Johnson foi se encontra com a rainha para pedir a formação de um novo governo. A vitória dá força para a conclusão do Brexit.

O ano de 2019 termina de maneira atípica. Greta Thunberg, a colegial sueca que inspirou um movimento global para combater as mudanças climáticas, foi nomeada Pessoa do Ano da revista Time em 2019. A jovem de 16 anos é a pessoa mais jovem a ser escolhida pela revista em uma tradição iniciada em 1927. Falando em uma cúpula da ONU sobre mudanças climáticas em Madri, ela pediu aos líderes mundiais que parem de usar “relações públicas criativas”  e comecem a tomar medidas reais contra a degradação do planeta.

Por Cássio Leandro

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