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Maria Carolina Regateiro – Acadêmica do 7º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A Escola de Frankfurt, criada em meados do século XX, deu início a vários outros importantes estudos e teorias para as Relações Internacionais, entre eles, a Teoria Crítica, que “emerge a partir de considerações, essencialmente acerca do conjunto normativo de métodos aplicados para explicação e para a compreensão do atual conjunto nomológico das Relações Internacionais” (CASTRO, 2016, p. 378). A partir da Teoria Crítica, surge a vertente Cosmopolita, que tem como principal autor Andrew Linklater, Professor de política internacional da Aberystwyth University, no País de Gales.

Cosmopolitismo (do grego kosmopolítes, kosmós =  mundo e polites = cidadão) é uma teoria e pensamento filosófico que caracteriza-se por desconsiderar fronteiras geográficas definidas pelos Estados e enxergar a humanidade como uma só, tendo como ideais a liberdade e igualdade humana, cidadania mundial e a possibilidade de criar princípios éticos mundiais. Fazendo-se necessário a existência de um universalismo moral para a promoção e manutenção da dignidade humana e seus direitos básicos (LINKLATER, 1982). Com base nos seus estudos e convicções, a Teoria Cosmopolita torna-se ideal para analisar principalmente temas que circundam os Direitos Humanos.

Mesmo com o passar dos anos, nunca se soube ao certo a data que Jesus Cristo nasceu, mas o dia 25 de dezembro foi definido pelo Papa Julius I (337-352) para esta comemoração. Entende-se por Natal, uma época de união, paz, amor e felicidade, no entanto, enquanto a festa cristã celebra o nascimento de uma criança – Jesus –, existem inúmeras outras no mundo em situação de risco que não se concentram em uma parte específica do globo, mas ao seu redor. Apenas somando os números de quatro países da África – Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iêmen –, a UNICEF estimou em 2017 que 22 milhões de crianças ainda passam fome, sendo que 1,4 milhão destas encontram-se em risco iminente de morte por desnutrição aguda; A Organização Internacional do Trabalho, em uma pesquisa divulgada em 2019, anunciou que 218 milhões de crianças entre 5 e 17 anos sejam forçadas a trabalhar no mundo; Nas Américas, crianças desacompanhadas enfrentam migrações turbulentas. Somente nos Estados Unidos, em 2016, mais de 26 mil crianças foram detidas desacompanhadas nas fronteiras do país, muitas delas sendo submetidas à julgamentos em tribunais norte-americanos para serem deportadas, quando muitas vezes precisavam de tradutores para responderem sobre seus supostos “crimes”; Na América Latina, uma um em cada quatro jovens jovem encontra-se em um casamento antes dos 18 anos; No Afeganistão, no ano de 2019, uma média de 9 crianças são mortas ou mutiladas por dia.

As notícias são inúmeras, e a preocupação crescente. No início de dezembro iniciaram-se protestos de jovens em 150 países no mundo. As reivindicações foram inspiradas em Greta Thunberg, ativista sueca pelo clima, no entanto, os protestos e greves escolares também exigem melhores condições educacionais, diminuição da desigualdade, fim da corrupção e melhores oportunidades de emprego. O descaso por milhões de crianças no mundo é assustador. Os países mais pobres sofrem com as condições de vida atuais, e as crianças, aquela a quem deveriam ser dadas as melhores oportunidades, acabam por se tornarem grandes vítimas da má política e da falsa empatia. Para todos aqueles que, nesta época do ano, celebram o nascimento de Jesus, é importante olhar para as crianças do mundo como Ele olhou, pois “tomando uma criança, colocou-a no meio deles – dos discípulos –. Pegando-a nos braços, disse-lhes: “Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou”. (Marcos 9:36-37)

 

Referências

BÍBLIA. Português. Bíblia sagrada. Tradução de Padre Antônio Pereira de Figueredo. Rio de Janeiro: Encyclopaedia Britannica, 1980. Edição Ecumênica.

CASTRO, Thales. Teoria das Relações Internacionais. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2016.

Cerca de 218 milhões de crianças estão empregadas. ONU NEWS. 2019. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2019/06/1675931.

EUA detêm mais de 26 mil crianças desacompanhadas na fronteira em 2016. G1. 2016. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/08/eua-detem-mais-de-26-mil-criancas-desacompanhadas-na-fronteira.html.

Empoderar as crianças contra o casamento infantil na América Latina. EL PAÍS. 2019. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/19/actualidad/1560970866_854351.html

LINKLATER, Andrew. Men and Citizenry in the Theory of International Relations. London: Palgrave Macmillan, 1982.

Nota sobre crianças e adolescentes venezuelanos desacompanhados ou separados de suas famílias. UNICEF Brasil. 2019. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/nota-sobre-criancas-e-adolescentes-venezuelanos-desacompanhados-ou-separados.

Ondas de protestos ao redor do mundo lembram que as vozes de crianças e adolescentes devem ser ouvidas e seus direitos protegidos. UNICEF Brasil. 2019. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/ondas-de-protestos-ao-redor-do-mundo-lembram-que-vozes-de-criancas-e-adolescentes-devem-ser-ouvidas.

Todos os dias, uma média de nove crianças são mortas ou mutiladas no Afeganistão. ONU NEWS. 2019. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2019/12/1698151

UNICEF: 22 milhões de crianças passam fome e 1,4 milhão está em risco iminente de morte em 4 países. ONUBR. 2017. Disponível em: https://nacoesunidas.org/unicef-22-milhoes-de-criancas-passam-fome-e-14-milhao-esta-em-risco-iminente-de-morte-em-4-paises/amp/