Resenha: A Rainha de Katwe

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Maria Eduarda Diniz – acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A Rainha de Katwe conta a história real da jovem ugandesa Phiona Mutensi, uma menina determinada, mas nascida numa região pobre de Uganda, na África, que não tinha grandes perspectivas de ver sua vida mudar. Até que ela descobre o xadrez, o qual se torna sua grande paixão e missão, levando-a a um futuro que ela ainda não tinha “ousado” imaginar.

O filme começa focando na realidade de Phiona, uma menina que vivia e trabalhava junto a seus quatro irmãos e com sua mãe para sobreviver ao dia seguinte, órfã de pai e sem poder estudar, ela apenas vivia um dia após o outro, vendendo milho e buscando ajudar o máximo possível em casa. Em um dia comum, ela segue o irmão até uma Missão, onde um homem começa a treinar as crianças para jogar xadrez. Phiona começa sendo esnobada pelas outras crianças por seu cheiro, mas se recusa a ir embora, o que deixa o treinador impressionado. Phiona aprende aos poucos o jogo, mas logo começa a prever todas as jogadas de seus colegas e a vencer todas as partidas.

As crianças, com o tempo, começam a pedir mais: eles querem ganhar das crianças ricas da cidade. Com muito esforço, o treinador os leva para as competições e o talento de Phiona se solta nas partidas. O longa mostra bem a realidade africana, mas uma diferente da que as pessoas normalmente associam a África. Phiona mora na área mais pobre de Uganda, mas fora de lá existem cidades e pessoas muito ricas, bem preparadas e alimentadas, diferentes das crianças de Katwe. A pobreza é a característica mais comum associada a África, mas o filme mostra que, dentro dos países africanos, assim como em qualquer país, não existe só os pobres e só os ricos, mas ambos coexistindo, com a desigualdade visível aos olhos.

O filme se presta a mostrar a determinação de uma menina, mas também mostra a solidariedade de um treinador, a força de uma mãe, a esperança e inocência das crianças e a desigualdade entre as pessoas, mas acima de tudo foca no amor ao próximo, algo acima de questões religiosas, mostrando como se deve dar muito mais do que receber. A narrativa é fluida e rapidamente captura o espectador, não só pela história em si, mas como é contada, como os atores fazem uma belíssima conversa entre si e com eles próprios, internalizando os personagens e passando esses sentimentos pela tela. No fim do ano, quando a sociedade mais se lembra de solidariedade, um filme que carrega isso do início ao fim como a Rainha de Katwe, é uma boa pedida.

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