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Marina Coelho – Acadêmica do segundo semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Em 2019, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) completa 70 anos de sua fundação. Criada em 1949 pelo Tratado de Washington, é uma aliança militar cujo objetivo principal, além de proteção mútua, era de conter o avanço do bloco socialista no contexto da Guerra Fria. Com o fim da URSS em 1991, a aliança perdeu o seu principal propósito e tornou-se um fórum de cooperação militar.

Entre os paradigmas clássicos das Relações Internacionais, encontra-se o realismo, que estabelece os Estados como os únicos atores para compreender a dinâmica do sistema. Um dos principais teóricos clássicos, que traz os fundamentos deste paradigma é Tucídides, que ao narrar a história da Guerra do Peloponeso, conflito entre Esparta e Atenas, destacou temas que são fulcral  para o realismo, como o poder, a balança de poder, a formação de alianças entre cidades-Estado e as causas dos conflitos recorrentes entre elas.

Consoante ao pensamento de Tucídides com a ideia de que uma aliança é criada para dissuadir um potencial agressor e associar-se em torno do tema de uma defesa mútua, estão as bases do surgimento da OTAN, que foi uma resposta ao avanço de poder da União Soviética na Europa e visou a defesa dos Estados-membros, similar à dinâmica da aliança militar de defesa Atenas-Córcira narrada pelo historiador grego em sua obra.

Ao contrário do que era previsto, mesmo após a eliminação da principal ameaça dos Estados envolvidos na aliança e com o fim da Guerra Fria, não houve um desarranjo dessa, e sim, uma considerável expansão. Por que isso ocorre?

Na era pós Guerra Fria, a OTAN segue sendo de extrema importância para seus Estados-membros pois o Ocidente passou de um cenário de segurança definido por uma só ameaça (o bloco socialista), para um cenário onde há uma gama diversificada de ameaças no contexto de um mundo globalizado (como o terrorismo transnacional e a proliferação de armas de destruição em massa).

Os Estados Unidos ainda têm interesse em moldar a política europeia de segurança, e a OTAN fornece um meio pelo qual os EUA podem influenciar a política europeia e seu investimento em defesa. A Organização não está mais ligada à ameaça singular de segurança representada pela União Soviética para a Europa, mas pelo ideal de resistência comum contra as inúmeras ameaças de segurança que se mantém atualmente.

Referências

WALTZ, Kenneth N. NATO expansion: A realist’s view.  Contemporary Security Policy, London, 21:2, 23-38, 200.

SARFATI, Gilberto. Teorias de Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2005.

BERTAZZO, Juliana. Atuação da OTAN no Pós-Guerra Fria: Implicações para a Segurança Internacional e para a ONU.  Rio de Janeiro, vol. 32, no 1, janeiro/junho 2010, p. 91-119.

JAKOBSEN, Ove H. Power and Influence: realism, U.S. security policy and NATO’s transformation. University of Oslo: Master Thesis, Department of Political Science, 2008.