Antonio Amorim — Acadêmico do 2° Semestre de RI da UNAMA

Kedma (2002)

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Kedma (em hebraico, קדמה) é um filme israelense de 2002, dirigido por Amos Gitai. Este, é o diretor mais famoso de Israel, também o mais polêmico, porém, longe de ser o mais querido.

O filme de Gitai se passa em maio de 1948 às vésperas da proclamação do Estado de Israel, e os conflitos entre árabes e judeus estão em seu auge. Um navio de carga chamado Kedma, com centenas de sobreviventes do Holocausto que sonham em chegar à Terra Prometida, aproxima-se ilegalmente do porto da Palestina onde de imediato é interceptado por soldados britânicos. Dentro de alguns dias, o mandado britânico chegaria ao fim, e a efervescência de ambos os lados tornava-se mais visível ao ponto da eclosão de uma guerra que atravessou gerações e persiste até os dias atuais.

É possível analisar o filme a partir da perspectiva de Gitai quando demonstra as situações mais chocantes possíveis do povo palestino e judeu. E, embora a nacionalidade israelense do diretor, ele não poupa sua visão crítica acerca deste conflito, não apenas por eles, mas ainda no início do filme, por exemplo, é perceptível também a visão dos britânicos sobre a presença judaica na Palestina (não viam com bons olhos aquela imigração maciça). Da mesma forma, é retratada a perspectiva palestina do conflito, estes, que perderam suas terras quando o Estado de Israel foi criado.

Vale ressaltar que, pelo seu teor crítico, Kedma possui um aspecto documentarista que conta com vários relatos de tons verídicos, portanto, não é um filme romantizado. É um filme significativo para quem opta por entender melhor conflito árabe-israelense e até onde a barbárie de ambos é explorada dado o ódio alimentado por eles.

 

A Informante (2010)

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Baseado em fatos reais, A Informante (originalmente The Wistleblower) da diretora Larysa Kondracki, é um filme que nunca antes na história do cinema abordou os casos chocantes e apavorantes do tráfico e escravização de mulheres na Bósnia nos anos 1990, patrocinado e acobertado por membros das forças de Paz da ONU.

O filme tem como protagonista a personagem Kathy Bolkovac (interpretada pela atriz norte-americana Rachel Weisz) que está passando por problemas pessoais que afetam a sua vida profissional. Por sugestão de um colega de trabalho, Kathy inscreve-se para participar das tropas da ONU estacionadas na Bósnia-Herzegovina, tentando manter a paz e a ordem depois da sangrenta e atroz guerra racial que varreu os Bálcãs após o fim da Iugoslávia.

Dentre suas missões nos Bálcãs, Kathy em sua passagem por Sarajevo depara-se com o panorama absolutamente cruel e desumano. Jovens vindas de diversos locais, mediante promessas mirabolantes, são escravizadas, obrigadas a se prostituir, submetidas a todos os tipos de violência. Os donos dos prostíbulos – em geral escondidos sob a fachada de bares – pagam propinas à polícia e aos soldados da força de paz da ONU para que seus negócios não sejam ameaçados. E policiais locais e os soldados vindos do estrangeiro fazem ‘uso’ das garotas, numa ampla rede de corrupção, acobertamento e violência.

Os crimes mostrados pelo filme – e há sequências horrorosas, apavorantes, de uma violência inimaginável – provam as atrocidades que a humanidade é capaz de cometer. No entanto, a existência de pessoas como Kathryn Bolkovac, e de filmes como este, podem conscientizar para o contrário.