Resultado de imagem para violência na bolívia

Eike Teófilo – Acadêmico do 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA 

Juan Evo Morales Ayma nasceu em 26 de outubro de 1959. De etnia uru-aimará, uma das 36 existentes em seu país, foi eleito o primeiro presidente de origem indígena da Bolívia. Após décadas sendo governada por descendentes de europeus, Evo parecia ser até então uma pessoa parte de um grupo que no início de sua caminhada presidencial representava 60% da população do país.

Iniciou na política em 1995, sendo eleito primeiramente, como deputado nacional após ser envolver com meios sindicais na época em que trabalhava como agricultor da planta de coca, prática bastante exercida em seu país. Em 1997 foi eleito novamente, mas dessa vez para ser representante das províncias de Chapare e Carrasco de Cochabamba no Congresso Nacional boliviano tendo 70% dos votos, mais que qualquer outro parlamentar daquela ocasião.

Após ver sua carreira política decolar rapidamente, decidiu concorrer à presidência pela primeira vez em 2002, onde após a contagem dos votos, terminou a corrida em segundo lugar. Todavia, quatro anos depois, lançou novamente sua candidatura onde derrotou seu então concorrente Jorge Quiroga com 54% dos votos e assim sendo eleito em 2006 como primeiro chefe de estado indígena da Bolívia.

Com suas ideologias voltadas ao socialismo, foco de seu governo, Morales sempre evidenciou uma reforma agrária. Além do mais, veio a nacionalizar setores pontuais da indústria econômica e sempre procurou contrapor-se aos interesses norte-americanos. Como presidente também ajudou a população boliviana a sair da extrema miséria e com isso diminuindo os índices de pobreza de 33% para 15% desde sua chegada ao poder. Em virtude de seus grandes números quando se falavam na economia e no meio social, venceu sem nenhum problema as corridas presidenciais de 2009 e 2014.

Entretanto, em meio a 13 anos de governo, Morales concorreu a um quarto mandato, ao qual ficaria até 2025 no poder, sendo novamente eleito. Porém, nas eleições recentes de 2019, grupos opositores decidiram ir às ruas da Bolívia alegando irregularidades nas contagens dos votos, e até mesmo a Organização dos Estados Americanos (OEA) questionaram a vitória do então presidente reeleito. Em meio a isso, grandes polêmicas também vieram à tona com o nome do presidente envolvido em esquemas de corrupções em larga escala no Estado.

Evo Morales após sofre grande pressão popular e ter perdido o apoio das Forças Armadas do país, decidiu em conjunto com seu então vice-presidente Álvaro García Linera e outras lideranças do seu governo renunciar aos seus mandatos com propósitos de minimizarem o caos instaurado no país após os resultados eleitorais. Contudo, o que se vê nas últimas semanas são os aumentos das tensões nas ruas do país após grupos apoiadores de Morales protestar contra a sua renúncia do governo.

Com sua renúncia o presidente indígena alegou ter sofrido um golpe de Estado da oposição sob fortes ingerências dos EUA, e em defesa, os mesmos dizem que apenas queriam “um ajuste de contas”. Com sua ida para o México sob asilo político e as renúncias em cadeias depois de tal evento, o que se vê atualmente é um vácuo político existente no país em busca de resoluções para os intensos conflitos.

De acordo com Thales de Castro (2012), os estudos teóricos do pós-colonialismo buscam abarcar perspectivas críticas das partes não amplamente representadas pelos holofotes do eixo americano-europeu. Além disso, o pós-colonialismo utiliza, entre outros métodos as matrizes científicas, a antropologia, a etnografia, a literatura e as ciências sociais fora dos circuitos hegemônicos da academia.

A professora Kate Manzo (2003), voz expressiva no paradigma pós-colonial detém um dos mais robustos argumentos, que se respalda no conceito de representatividade, ou seja, a capacidade de participação e a elevação de voz em processos políticos, econômicos, culturais e institucionais de pouca participação de grupos menos favorecidos.

Em suma, a alusão ao caso da crise na Bolívia se mistura ainda nessa questão das ingerências provocadas por países colonizadores e imperialistas que mantém seus interesses sob terras latinas e, assim, acabam por ocasionarem grandes impactos políticos, econômicos e sociais em terras exploradas no passado.

Referências 

O que está acontecendo na Bolívia? -2019- https://www.vice.com/pt_br/article/8xwj5x/o-que-esta-acontecendo-na-bolivia – Acesso em: 19/11/2019.

Crise na Bolívia: O ‘ajuste de contas’ do governo interino com Evo Morales, seus colaboradores e seus seguidores– 2019 – https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50458211. Acesso em: 19/11/2019.

Evo Morales renuncia na Bolívia após militares cobrarem sua saída – 2019 –https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/10/internacional/1573419777_926417.html – Acesso em: 19/11/2019.

Hoje na historia – 2006 – https://br.historyplay.tv/hoje-na-historia/evo-morales-assume-presidencia-da-bolivia. Acesso em: 19/11/2019

Evo Morales: do movimento cocalero à renúncia, veja o perfil do ex-presidente boliviano – 2019 – https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/11/10/evo-morales-do-movimento-cocalero-a-renuncia-veja-o-perfil-do-ex-presidente-boliviano.ghtml. Acesso em: 19/11/2019