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Maria Carolina Regateiro – Acadêmica do 6° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Um dos maiores símbolos da Guerra Fria ficou de pé por 28 anos e separou a capital alemã em dois lados antagônicos: o capitalista, polo liderado pelos estadunidenses, e o socialista, representado pela União Soviética. O Muro de Berlim, que foi construído literalmente da noite para o dia, era responsável por dividir a parte Ocidental da Oriental da cidade, e trouxe caos e desigualdade entre os cidadãos berlinenses que não possuíam o direito de ir e vir entre as partes.

Erguido em 13 de agosto de 1961, o Muro se tornou um símbolo do controle da União Soviética, que queria impedir as – tentativas de – fugas que aconteciam corriqueiramente para o lado capitalista, que oferecia melhores condições de vida. Pessoas tentavam escalar o Muro, passar pelo arame farpado, cavar túneis, pular de prédios para o outro lado, ou até mesmo se arriscar na travessia de rios. Centenas de pessoas foram mortas ou presas tentando atravessar a barreira, no entanto, milhares conseguiram escapar.

As duas Alemanhas voltaram a estabelecer relações diplomáticas em 1973, mas foi somente em 9 de novembro de 1889, que a Alemanha Oriental transmitiu pela televisão que abriria as fronteiras novamente. A multidão partiu imediatamente ao “Muro da Vergonha” e o derrubou com suas próprias ferramentas, evidenciando o colapso do socialismo soviético.

Os teóricos do Liberalismo nas Relações Internacionais “valorizam a liberdade individual acima de tudo e acreditam que o Estado deva diminuir essa restrição da liberdade” (GRIFFITHS, p. 83). Por décadas o Liberalismo foi menosprezado, por ser considerada uma teoria utópica pelo Realismo. Entretanto, o colapso da União Soviética, inclusive, “deu a oportunidade para os liberais contemporâneos acessarem os legados de suas tradições intelectuais e sua importância, no final do século XX” (GRIFFITHS, p. 83).

Um teórico das Relações Internacionais que também aborda bastante questões sobre liberdade e humanidade é Andrew Linklater, principal autor da Teoria Cosmopolita, vertente advinda da Teoria Crítica de Relações Internacionais. Este pensamento é caracterizado por desconsiderar fronteiras geográficas definidas pelos Estados e considerar a humanidade como uma só.

Para Linklater (1982), faz-se necessário a existência de um sentimento cosmopolita por meio de um universalismo moral e seu principal objetivo é estabelecer uma consciência mútua para promover a manutenção da dignidade humana e seus direitos básicos.

A queda do Muro de Berlim representou muito mais que seu sentido literal das palavras, significou a esperança para aqueles que se viam presos em um sistema onde a política colocava suas prioridades acima da dignidade dos homens e mulheres ali presentes.

No aniversário de 30 anos da queda do Muro de Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel pediu para que a democracia e a liberdade europeia fossem sempre defendidas, ressaltando que é preciso haver tolerância e respeito pelos Direitos Humanos.

Acompanhada dos presidentes da Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia, Merkel levou uma flor ao local onde o Muro foi levantado e ressaltou que “o Muro de Berlim pertence à história e nos ensina que nenhum muro que deixa as pessoas de fora e restringe a liberdade é tão alto ou tão comprido que não se possa ultrapassar”.

 

Referências:

LINKLATER, Andrew. Men and Citizens in the Theory of International Relations. London: Palgrave Macmillan, 1982.

GRIFFITHS, Martin, 1961. 50 Grandes Estrategistas das Relações Internacionais. Tradução Vânia de Castro – 2. ed., 1ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2016.

Por que o Muro de Berlim foi construído?. BBC. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/mundo/videos/por-que-o-muro-de-berlim-foi-construido,8952386.html> Acesso em: 09.11.2019

Merkel pede a Europa defesa da democracia em aniversário da queda do Muro. Disponível em: <https://www.correiodopovo.com.br/notícias/mundo/merkel-pede-a-europa-defesa-da-democracia-em-aniversário-da-queda-do-muro-1.379053> Acesso em: 09.11.2019