Resenha – Os Últimos Czares

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Maria Eduarda Diniz – acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

No dia 25 de outubro de 1917, ocorreu a Revolução Bolchevique na Rússia,  a qual mudou completamente o modo de viver do povo Russo. Após a Revolução, muito se especulava sobre o destino da Família Imperial Russa, deposta pelos revolucionários, que ficou às escuras por anos. Hoje, sabe-se de sua morte e vários veículos de entretenimento passaram a lembrá-los como uma família injustiçada, vítima dos horrores do governo socialista russo, uma família que representava os “tempos dourados” da História Russa.

Pensando nesse acontecimento, a série “Os Últimos Czares” vem para apresentar um cenário completo da monarquia czarista de Nicolau II e de como isso levou a Revolução de 1917. Alternando entre documentário e cinema, a série mostra desde a morte do antigo Czar, Alexandre III, e ascensão de seu filho, Nicolau, até o momento em que a família é destituída do poder e levada sob custódia. Buscando tornar interessante a narrativa, a maior parte dos episódios conta uma história, bem ao estilo de “era uma vez”, mostrando primeiramente a visita de um ex-professor das princesas russas a uma mulher em um sanatório, com uma história incrível sobre si: a de que ela era Anastasia Romanov, filha mais nova de Nicolau e Alexandra, portanto, herdeira do Império Russo. A partir das lembranças do próprio professor ao tentar desvendar se aquela mulher é realmente quem diz ser é que a narrativa volta aos anos de governo de Nicolau II.

Vários historiadores, bibliógrafos e especialistas na história da família real aparecem comentando os acontecimentos do período, mostrando o que se passava. Através de suas observações e das imagens e cenas mostradas, nota-se uma inconstância entre aqueles que governavam a Rússia. De um lado, havia o próprio Czar, inexperiente e fixado pelas velhas tradições da monarquia autocrática, que não conseguia enxergar as mudanças do mundo e acompanhá-las. De outro, elites e nobreza que se aproveitavam da inexperiência e confusão de Nicolau para buscar manter seu status quo ou aumentá-lo de algum modo. E ainda havia a família de Nicolau; após a descoberta da hemofilia  (doença sanguínea) do herdeiro Alexei, o Czar e sua mulher entraram em desespero, buscando guardar esse segredo o quanto podiam, o que só afastou o Czar de seu povo e atraiu um homem “santo”, que se tornaria o escárnio do povo e da elite russa, Raspuntin, o qual tinha a capacidade de parar os sangramentos e a dor do herdeiro russo.

Como pano de fundo, há uma Rússia destruída. Miséria e fome são comuns nas ruas, o campesinato ainda era  comum e estes camponeses eram obrigados a impostos altíssimos para a Coroa. Com isso, palavras de insurreição se tornaram comuns, com vários intelectuais e líderes populares clamando por uma revolução, por uma mudança. Mas Nicolau estava alheio disso. No tão famigerado Domingo Sangrento, enquanto milhões de pessoas marchavam pacificamente em direção ao Palácio para pedir melhorias ao Czar, ele foi embora deixando a guarda Imperial para cuidar dos manifestantes. Nicolau não tinha ideia do que estava acontecendo fora de seu Palácio, assim como a maioria da nobreza, e não percebeu o grande erro que cometeu nesse dia, assim como os outros erros que estava cometendo e viria a cometer no futuro. Erros que fizeram a população apagar da memória a imagem do Czar “o bom pai da Rússia”, e lembrar mais do “Czar, o sanguinário”.

Observar esse cenário e entender que tudo isso levou a história que conhecemos hoje é entender a importância desse momento. A Revolução trouxe novos contornos de poder para o sistema, contornos que não eram esperados nem verdadeiramente considerados antes da Guerra. Considerar se era um regime socialista verdadeiro ou se o socialismo deu certo ou não é insistir em apenas um aspecto deste evento histórico. O País, ou melhor, o regime que se seguiu moldou as relações internacionais do século XX, e sua importância continua a ser lembrada até os dias de hoje. Portanto, entender o contexto histórico que levou a essa grande mudança, é entender ainda mais os contornos revolucionários da História.

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