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Kalwene Ibiapina – Acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Para o economista e filósofo britânico, Adam Smith, considerado o pai da economia moderna, o principal objetivo de um Estado é o aumento da riqueza e do poder do país. Este é o objeto de estudo da Economia Política Internacional, uma área das relações internacionais que se pauta no vínculo entre política e economia, cujos interesses se baseiam, fundamentalmente, em tal obtenção de poder e riqueza e cuja competência se dá pela definição dos modos pelos quais esta e outras necessidades humanas (infinitas) são distribuídas, a fim de conseguir alocá-las utilizando recursos finitos que o sistema internacional possui. Tal área se respalda nos pensamentos de diversos autores, dentre eles, Gustavo Arce e Ladislau Dowbor.

Arce é um economista uruguaio que desenvolveu, em seu livro “A Economia Mundial no século XXI”, ideias sobre o funcionamento da economia neste período, desde sua estrutura e fases até o processo de implantação e desenvolvimento do capitalismo. Porém, uma das maiores contribuições de Arce se refere ao período de transição do capitalismo industrial para o capitalismo da informação e do conhecimento, uma Era marcada pela propriedade do acesso, da inclusão, da economia da informação e da sociedade do conhecimento. Para ele, a tecnologia e a informação são ferramentas imprescindíveis da contemporaneidade. 

Ao mesmo tempo, ao passo que a Globalização promove uma quebra de fronteiras e rapidamente amplia o campo da circulação de informações, Arce explica que há uma profunda concentração da detenção deste poder técnico-científico-informacional, principalmente nos países desenvolvidos, sendo que essa detenção é oligopolizada, está aglutinada nas mãos de poucos. É possível perceber isso quando listamos grandes nomes de empresas de tecnologia como a Apple, Microsoft, Amazon e Google. Só esta última, de acordo com uma matéria da BBC, até 2017, representava cerca de 40% das receitas globais da publicidade digital, ao passo que, até 2021, estima-se que a Amazon possuirá metade das vendas online dos EUA. Gustavo Arce cita também que este grande controle das empresas implicam na economia de modo que o desejo profundo pelo lucro pode levar à promoção de atividades ilícitas e à conformação de um movimento sócio-econômico de comportamento delitivo. 

Considerando esse interesse pelo alcance de poder e acumulação de riqueza, em seu livro “A Era do Capital Improdutivo”, o economista brasileiro, Ladislau Dowbor, dialoga sobre o capital acumulativo. Dowbor explica que, a partir desta lógica rentista de geração do lucro – a tal financeirização ou movimento de geração de dinheiro por meio apenas do dinheiro, sem que haja a presença de um mercado, trabalho e serviços nesse intermédio, apenas a geração de mais pobreza -,  o capital pode ser considerado “infértil” ou improdutivo, justamente porque está nas mãos de uma minoria que, baseada no ideal acumulativo, impede-o de circular devidamente. Dowbor denuncia que o dinheiro circulante é o do pobre, o do contribuinte, justamente o indivíduo mais frágil ou hipossuficiente deste sistema. O economista utiliza-se ainda de dados persistentes: ele expõe que a concentração deste capital é tão excessiva a ponto de quase uma centena de empresas controlarem, sozinhas, 40% do PIB mundial. 

Por fim, Dowbor comunica que “O poder mundial realmente existente está em grande parte na mão de gigantes que ninguém elegeu, e sobre os quais há cada vez menos controle”. Isso traz uma preocupação persistente quanto ao futuro quando analisado a partir de perspectivas tão realistas: será a sociedade um organismo privilegiado pela grande quantidade de informação e conhecimento “disponíveis” ou será a sociedade um mero ventríloquo nas mãos das grandes empresas e corporações transnacionais? 

Referências:

ARCE, Gustavo. A Economia Mundial no século XXI. Originalmente publicado pela Fundación De Cultura Universitaria, Montevideo, Uruguai, fev. 2014. 

DOWBOR, Ladislau. A era do capital improdutivo: Por que oito famílias têm mais riqueza do que a metade da população do mundo? – São Paulo : Autonomia Literária, 2017.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-40205922