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Felipe Soares – Acadêmico do 6º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

É perceptível a situação econômica confusa em que o país se encontra. A educação de qualidade deixou de existir, devido à falta de políticas públicas eficientes para com o setor educativo que sofre com várias problemáticas. As cotas e vagas estão cada vez menos acessíveis para a população, principalmente para os jovens estudantes, que ainda lutam para ingressar em universidades, buscando um crescimento profissional no mercado de trabalho. 

O atual investimento por estudante é apenas um quarto do que gastam os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), clube das nações mais desenvolvidas do mundo. A ampliação dos recursos não se traduz numa melhoria consistente para os salários dos professores. Os programas de financiamento estudantil são um exemplo de como a crise econômica brasileira afeta grandemente as oportunidades dos estudantes, lesando bastante aqueles que tentam uma vaga.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) apresentado em Paris, realizado em 38 países, entre eles, o Brasil, revelou que um número cada vez menor de jovens está disposto a seguir a carreira do magistério. E uma das principais causas, senão a mais importante foi o baixo salário pago. Mais uma vez, o Brasil é um dos países que menos paga seus professores. É urgente a resolução da questão salarial através de um piso nacional digno e de instrumentos adequados que possam promover o desempenho do professor. Caso contrário, será difícil vencer o desafio da qualidade e, por conseguinte dos demais fatores que influenciam a motivação do aluno.

Além disso, as medidas de emergências devem não só contemplar a formação inicial e continuada de professores, mas associá-los a ações e políticas de valorização do docente. Isso passa por salário, mas não se reduz somente a esta questão, pois se deve incluir, além da definição de um plano de carreira digna, a melhoria das condições, ou melhor, da estrutura e todo suporte necessário para um bom desempenho do docente para com os alunos, de modo que o professor possa focar a sua jornada em um único estabelecimento de ensino. Onde possa ter tempo para estudar e pesquisar.

A desvalorização aborda vários aspectos não somente no ambiente escolar, mas no social do ponto de vista que, atualmente diante de crises econômicas e, consequentemente, cortes de verbas para a educação, o profissional busca outros setores educativos para ao menos alcançar um patamar econômico que possa viver razoavelmente e assim se estabilizar, ocasionando um desgaste tanto físico quanto psicológico. 

Desde os anos 1980, a noção de que “a realidade é socialmente construída” tornou-se muito repetida entre as novas abordagens teóricas das RI, e não apenas pelos defensores do construtivismo social, como John Ruggie e Friedrich Kratochwil. Dizer que a realidade é socialmente construída implica reconhecer que aquilo que consideramos realidade resulta dos entendimentos coletivos e das práticas que constituem o mundo social.

Têm-se uma construção social a partir da conjuntura dos profissionais de educação no país, em que se inviabiliza a melhoria de condições de salário, trabalho e até de reconhecimento e valorização. Isso se dá por uma trajetória de sucateamento e depreciação de escolas e profissionais, os quais possuem o obstáculo da ausência de um suporte maior em questões educacionais. Para o construtivismo, portanto, as estruturas-chave do sistema internacional são intersubjetivas. Os construtivistas não rejeitam a importância dos aspectos materiais do mundo, mas as relações entre as ações humanas e o mundo material dependem do modo como os agentes lidam com as diversas estruturas intersubjetivas de significado, como cultura, as identidades, as normas e regras dos discursos.

É necessário, portanto, construir uma sociedade onde a educação receba a valorização que merece e, consequentemente, os profissionais responsáveis por ela também. Somente através do reconhecimento da importância da educação para um país, é que melhorias na docência serão alcançadas, de modo que todos serão beneficiados, pois assim teremos uma sociedade melhor. 

Referências:

CASTRO, Thales. Teoria das Relações Internacionais. Brasília: FUNAG, 2012

UNESCO. Dia Mundial dos Professores. Disponível em: <http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/world_teachers_day-1/&gt;. Acesso em outubro de 2019.

FERNANDES, Giulliano. Avaliação da qualidade da educação na América Latina ocorre em novembro no Brasil. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/33335/&gt;. Acesso em outubro de 2019.

AMARAL, Marcelo. Política pública educacional e sua dimensão internacional: abordagens teóricas. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022010000400004&gt;. Acesso em outubro de 2019

NETO, Paulo Henrique. Educação e Relações Internacionais: Diálogos Possíveis. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/revistatodavia/S.%202%20Ed.%201%20-%20Artigo%202.pdf&gt;.Acesso em outubro de 2019.

RUGGIE, John. Constructing the World Polity – Essays on international institutionalization. New York/London: Routledge, 1998.