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Maria Carolina Regateiro – Acadêmica do 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

O Círio de Nazaré, que completa 226 anos em 2019, é uma das mais importantes datas do calendário paraense, seja pela mobilização dos fiéis da cidade, como pelo intenso fluxo de turistas do mundo inteiro que Belém do Pará recebe durante esses dias. A festa cristã faz, inegavelmente, parte da identidade cultural do povo paraense. Apesar de ser herança da catequização portuguesa, o povo de Belém soube fazer dessa festa religiosa uma das mais reconhecidas no Brasil e no mundo, mostrando a rica história que a cidade possui.

A história aponta que tudo começou quando o caboclo Plácido encontrou a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré em um igarapé, que na época se localizava onde hoje corresponde aos fundos da Basílica de Nazaré. Ao pegar a Santa em seus braços, ele a leva para sua casa, limpa-a e a coloca em um altar improvisado. Entretanto, teve uma surpresa no dia seguinte: a Santa havia sumido e retornado misteriosamente ao mesmo igarapé. Isso aconteceu algumas vezes mais, até Plácido decidir montar um altar para Nossa Senhora naquele local. Desde então, a Imagem passou a receber a visita de fiéis da cidade inteira.

O “Círio” tem origem da palavra latina “Cereus” que significa “vela grande”. Inicialmente, a procissão do Círio de Nazaré era comemorada no período noturno, e por isso utilizavam-se de velas, porém, para evitar as chuvas da tarde que poderiam atrapalhar o evento, a partir do ano de 1854, a procissão passou a ser realizada de manhã. 

Hoje em dia, celebrado no segundo domingo do mês de outubro, o Círio de Nazaré reúne, segundo a Diretoria da Festa e do Dieese/PA, mais de dois milhões de pessoas somente durante essa procissão. Além do Círio em si, que tem seu traslado entre a Catedral da Sé até a Basílica, outras procissões também são feitas para homenagear a Virgem de Nazaré, entre elas a Trasladação, a Romaria Fluvial, a Moto-Romaria, a Romaria das Crianças, entre outras.

Há séculos a religião vem exercendo um papel de influência nas sociedades e no plano internacional. Apesar de ser um evento de cunho religioso católico, o Círio acaba atraindo muito mais que fiéis, atrai admiradores pela grande festa que é feita.       

Andrew Linklater é um teórico crítico, da vertente cosmopolita, que aborda como seus ideais a igualdade e a liberdade humana. Seu principal objetivo é estabelecer uma consciência mútua entre a sociedade com a finalidade de promover a dignidade humana e seus direitos básicos.

O que está em causa no trabalho de Linklater é afinal o desenvolvimento de formas de organização política que reduzam a desigualdade material e promovam a emancipação, que se demonstrem mais tolerantes e integrantes de diferenças culturais e que se revelem mais universalistas, expandindo as fronteiras da comunidade política de forma a integrar mais indivíduos, inclusive aqueles culturalmente externos a cada sociedade, na autodeterminação democrática de políticas que potencialmente os afetem.(LINKLATER apud PEDRO e SARAMAGO, 2014. p.317)

Durante os dias que antecedem a grande festa, a capital paraense recebe milhares de romeiros que vem, geralmente caminhando, de outras cidades para “pagar pelas promessas” que fizeram à Santa Maria. É organizada uma imensa programação de amparo destes fiéis pela Casa de Plácido, que oferece comida, banho, camas, massagens e equipes médicas para aqueles que chegam com os pés debilitados.

Belém do Pará sempre recebe a época do Círio, também conhecida como Natal paraense, com muito entusiasmo e muita fé. As feiras de artesanato de miriti começam a se espalhar, o aroma da maniçoba, típica iguaria paraense que é colocada no fogo por 7 dias e 7 noites começa a tomar conta das ruas da cidade, que ficam todas enfeitadas e iluminadas tematicamente, a Casa de Plácido se veste de solidariedade para acolher os romeiros, e um clima de harmonia cobre a Cidade das Mangueiras. Tudo isso e muito mais é para provar que a devoção à Nazinha pelos fiéis paraenses é símbolo de admiração e inspiração que ultrapassa a comunidade católica e conquista olhares por ser simplesmente uma coisa inigualável: o Círio de Nazaré.

Referências

CASTRO, Thales. Teoria das Relações Internacionais. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2016.

LINKLATER, Andrew. Men and Citizenry in the Theory of International Relations. London: Palgrave Macmillan, 1982.

PEDRO, Guilherme Marques. SARAMADO, André. Em: MENDES, Nunes Canas. COUTINHO, Francisco Pereira. Enciclopédia das Relações Internacionais. Portugal: Publicações Dom Quixote, 2014.

Site Oficial da Diretoria da Festa de Nazaré. Disponível em: https://ciriodenazare.com.br/site/