Sínodo da Amazônia

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Maria Eduarda Diniz – acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Entre os dias 06 e 27 de outubro de 2019 será realizado o Sínodo da Amazônia, o qual reunirá os Bispos da Região Pan-Amazônica para refletir e indicar caminhos para o tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. O documento oficial do Sínodo, o “instrumentum laboris”, foi publicado no dia 17 de junho deste ano, o qual contém os assuntos a serem debatidos, entre eles a destruição extrativista na Amazônia e o desrespeito às tribos indígenas locais.

O Sínodo dos Bispos, como é formalmente chamado, foi instituído por São Paulo VI, em 1965, no contexto do Concílio Vaticano II, que trouxe reformas de estrutura social à postura da Igreja Católica, solicitando um maior envolvimento dos bispos com a Igreja universal. O mês de outubro é a fase celebrativa do evento, em que os bispos discutem o tema escolhido pelo Povo de Deus, este ano a Amazônia, e, ao final, passam a implementar o que foi discutido. A ideia do Sínodo é promover um caminho concreto a ser seguido por toda a Igreja, ao redor do mundo. O Papa Francisco já demonstrou várias vezes sua preocupação com a região, e o Sínodo representa que essa também é a preocupação do Povo de Deus, já que o tema é escolhido pelo povo.

James Rosenau, em seu livro People Count (2008), traz a visão de como os indivíduos influenciam no macro. A Igreja Católica é uma entidade internacional, uma Organização Internacional com mais de um bilhão de seguidores. Dentro da ideia de Rosenau, os indivíduos têm a capacidade de influenciar o sistema internacional, principalmente indivíduos ativos cujas ações impactam mudanças e essas mudanças levam a impactos transnacionais. O Sínodo tem a proposta de fazer dos bispos agentes ativos de mudanças, como o próprio Papa intenta, para promover impactos positivos em suas congregações, com as comunidades com as quais são conectados, no mundo todo.

O Sínodo vem em um momento em que a Amazônia está pedindo por socorro, momento em que o Brasil está dividido entre si mesmo e o mundo está revoltado com o governo brasileiro. O Papa Francisco pede para que haja “fogo de amor” na Amazônia e espera que o Sínodo possa promovê-lo. O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista, que não há problema em haver a discussão, mas que esse não é o posicionamento da religião e que a Amazônia é uma questão de soberania. Talvez o Sínodo da Amazônia possa significar uma mudança nas terras brasileiras, em que mais de 60% da população é católica, a questionar as ações do atual presidente e a realmente se engajar em prol da salvação da Amazônia. 

Referências:

ROSENAU, James. People Count! Paradigm Publishers, New York, 2008.

Perguntas frequentes sobre o Sínodo da Amazônia. Disponível em: http://www.sinodoamazonico.va/content/sinodoamazonico/pt/noticias/perguntas-frequentes-sobre-o-sinodo-dos-bispos–sinodoamazonico.html. Acesso em: 08 de out de 2019.

Sínodo da Amazônia. Disponível em: http://www.cnbb.org.br/sinodo-da-amazonia-novos-caminhos-para-a-igreja-e-para-uma-ecologia-integral/. Acesso em: 08 de out de 2019.

Bolsonaro comenta sua posição sobre o Sínodo da Amazônia. Disponível em: https://www.tercalivre.com.br/bolsonaro-comenta-sua-posicao-sobre-o-sinodo-da-amazonia/. Acesso em: 08 de out de 2019.

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