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Ana Carolina Nascimento – Acadêmica do 8º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Outubro de 2019 marca o septuagésimo aniversário da República Popular da China, fundada por Mao Tsé Tung em 1949, encerrando a era dos impérios no país e instaurando a República. Nasceu então o Partido Comunista da China (PCC), único partido do país, que governa a China há 70 anos. O partido possui atualmente 90 milhões de membros, possuindo adesão mandatória para grande parte dos cidadãos.

Analisando o contexto histórico pós 1949, percebe-se que as tentativas de Mao em reformular a economia agrária do país, conhecido como o “grande salto adiante” (1958-1960), se revelaram um fracasso quando ao invés do desenvolvimento, o país foi tomado por escassez de alimentos, ocasionando a fome. Neste contexto, a população do país organizou uma série de campanhas na chamada “Revolução Cultural”, que consistiu em protestos político-ideológicos como consequência ao Grande Salto Adiante.

Mao Tsé Tung governou o PCC até o ano de seu falecimento em 1976. O cenário de pobreza no país só viria a mudar quando o seu sucessor, Deng XiaoPing, assumiu o governo e buscou o desenvolvimento da China por meio de diversas reformas e políticas econômicas, como por exemplo, a criação de Zonas Econômicas Especiais com a finalidade de captação de Investimento Estrangeiro Direto e abertura econômica para empresas multinacionais, e as chamadas “quatro modernizações” que buscou o desenvolvimento e crescimento do país em setores estratégicos como indústria, agricultura, ciência e tecnologia e forças armadas.

Atualmente, o país é governado por Xi JinPing, presidente da China desde 2013, que também desenvolve uma série de políticas econômicas como a Iniciativa “Belt and Road”, que visa criar rotas terrestres e marítimas entre a China e outros Estado. Além de políticas econômicas, o governo de JinPing também busca investir na governança global, possuindo mais de 80 acordos internacionais com outros países e Organizações Internacionais. 

No Sistema Internacional Contemporâneo, percebemos que o poder econômico mundial está passando por mudanças. Tais mudanças são analisadas pelo teórico neorrealista das Relações Internacionais Robert Gilpin, que em seu livro “A economia política das Relações Internacionais”, considera os efeitos das mudanças econômicas sobre as relações internacionais.

A China buscou exercer papel de potência hegemônica, com o desenvolvimento interno e estimulando a abertura econômica, estabelecendo as Zonas Econômicas Especiais e a política das “Quatro Modernizações”, especializando-se em setores da indústria, agricultura, ciência e tecnologia e forças armadas. Sobre o desenvolvimento tecnológico, Gilpin ressalta que foi uma importante estratégia que contribuiu para o crescimento do país, “com a liderança de Mao Zedong, os chineses comprometeram-se com o desenvolvimento autônomo, planejando modernizar a sua economia fora da estrutura da economia capitalista global, mobilizando seu próprio capital e criando sua própria tecnologia” (GILPIN, 1987, p. 322).

Analisando a construção da hegemonia da China por meio do domínio do comércio internacional de bens e serviços à luz da teoria neorrealista de Robert Gilpin, percebemos que, o país tem investido em políticas para aumentar a sua participação no comércio internacional, ultrapassando as principais economias mundiais, incluindo os Estados Unidos. Este desenvolvimento, está atrelado às políticas desenvolvidas pelo Estado chinês, que entende o mercado como sua extensão. Também possuindo caráter político, o bom desempenho no mercado possibilita a China exercer seu soft e hard power no Sistema Internacional. 

Portanto, a construção da hegemonia da China pelo domínio do comércio internacional de bens e serviços pode ser entendida como uma consequência das políticas desenvolvimentistas lançadas pelo Estado chinês a partir da década de 1970, que por sua vez, foi possível por meio da instauração da República em 1º de outubro de 1949, completando 70 anos neste mês. 

Referências:

GILPIN, R. The Challenge of Global Capitalism. Princeton: Princeton University Press, 2000. 

GILPIN, R. Political Economy of International Relations. Princeton: Princeton University Press, 1987. 

GILPIN, R. War and Change in International Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1981.

BBC. 70 anos da República Popular da China: quão comunista ainda é a segunda maior economia do mundo. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49877815. Acesso em 02. Out de 2019