city italy old history

Larissa Lacerda – Acadêmica do 6° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A crise política da Itália tem se desdobrado em cenários cada vez mais preocupantes, entretanto a origem desta é se encontra firmada na economia, onde há mais de um ano  encontra-se em recessão devido à gastos públicos maiores que a arrecadação, bem como a má gestão das verbas estatais onde o aumento de impostos e o financiamento do Estado para as Indústrias já não solucionam mais o desequilíbrio orçamentário italiano de 132% do seu PIB.

Em uma das tentativas para sanar a crise italiana, que afetará todo os países, mas principalmente os signatários da União Europeia (caso se intensifique), o Banco Central Europeu injetou pacotes de incentivos monetários na economia italiana para um novo ajuste fiscal. Entretanto, tal verba foi conduzida de modo questionável não só não  solucionando os problemas econômicos atuais, como também aprofundando a crise.

Para além do âmbito administrativo e econômico, a Itália encontra-se dividida politicamente entre seus parlamentares onde as principais coalizões políticas – Movimento 5 Estrelas e Liga Norte, Movimento 5 Estrelas e Partido Democráticos- levantam ceticismo aos credores e aos investidores internacionais, que já classificam a Itália como “baa” – um nível acima da linha de risco de investimento chamado “lixo” – devido aos levantes políticos contra a União Européia, o próprio Euro, a imigração e as decisões políticas. 

A situação torna-se cada vez mais instável e incerta para o Bloco Europeu e para o meio internacional quanto a natureza do querer político italiano que, por ser a terceira maior economia da zona euro, atinge diretamente as demais economias. Frente tal narrativa podemos compreender este cenário a partir da Economia Política Internacional nas Relações Internacionais postulado por Robert Gilpin, onde este nos traz a perspectiva da influência recíproca da política internacional e a economia e o processo de interdependência das economias nacionais.

Em seus postulados, Gilpin apresenta a correlação entre o Estado e o mercado, onde aquele que ao determinar a natureza e a distribuição dos direitos de propriedade pode influenciar profundamente os resultados das atividades do comércio determinando seu destino e de igual modo, o mercado também é fonte de poder que influencia a política e seus resultados (1987). Além disto é postulado que a “interdependência no mercado afeta a política internacional e é afetada por ela pela ausência ou presença de uma liderança política” (1987, p 41).

Assim sendo, percebemos na Itália uma exemplificação da condição interdependente  da Política e a Economia que Gilpin teorizou. Ao analisarmos a linha temporal dos fatos políticos e a condição econômica italiana se concebe que em vias reais da Economia Política não é possível separar os dois conceitos – Economia e Política – como postulado por Gilpin. O Estado Italiano, dentro de sua crise e instabilidade política, gerou desníveis econômicos que, em consequência, alteraram  o balanço de poder interno dos jogos políticos, aqui representado pelas tentativas de tomada de poder ministerial pelos partidos e seus respectivos interesses, que em contrapartida moveram novamente as peças do mercado.

O Estado italiano fez o que Gilpin determina como “nacionalistas econômicos defensivos” por proteger a economia nacional a partir da luta contra as forças econômicas e políticas externas, aqui compreendidas como a atuação do Bloco Europeu e  da Zona do Euro vistas como negativas sob a óptica italiana; apresentando um direcionamento econômico as indústrias ao promover ações diretas em compra de indústrias, os investimentos estatais tem como objetivo influenciar o processo econômico e decisório da regras do Sistema Monetário.

Assim sendo, a Crise Política Italiana tem por fim dupla origem as quais se retroalimentam: a instabilidade política e a crise econômica.

Referências:

GILPIN, Robert. 2002. A Economia Política das Relações Internacionais. Brasília. Editora Universidade de Brasília.

Crise política na itália pode ter reflexos na economia. Revista Isto é Dinheiro. 2019. Disponível em: https://www.istoedinheiro.com.br/crise-politica-na-italia-pode-ter-reflexos-na-economia/   Acessado em 9 de setembro de 2019

“Impasse na Itália: partidos têm cinco dias para formar novo governo”.. Gazeta do Povo Online. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/entenda-crise-politica-italia/  Acessado em 9 de setembro de 2019