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Leonardo Dias Alvarez de Castro – Acadêmico do 8° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Os atentados do dia 11 de setembro de 2001 deixaram uma marca inapagável não só dentro do espírito nacional dos Estados Unidos, mas deixou também um medo e trauma dentro dos países do Ocidente e do “primeiro mundo”. E embora estes atentados não sejam o primeiro ataque terrorista que foi perpetrado contra os EUA ou seus aliados, a sua escala, sofisticação e os alvos que foram escolhidos precisam ser vistos e analisados de uma forma mais ampla e que diverge das perspectivas mais tradicionais de segurança dentro das Relações Internacionais, como o realismo ou o liberalismo.

Embora as estruturas de pensamento mais tradicionais das Relações Internacionais continuam sendo importantes e úteis para poder se analisar o sistema internacional ou o dilema de segurança entre os Estados, a conclusão da Guerra Fria em 1991 mostrou que seria necessário criar uma forma diferente de se pensar sobre a segurança e o que essa palavra significa. O final da Guerra Fria obrigou os Estados e organizações internacionais a pensarem acerca da segurança de forma mais diversa e ampla, pois a ameaça de destruição nuclear mútua a partir de um ator estatal claro e formalmente estruturado, deixou de existir e no seu lugar outras ameaças e considerações que poderiam afetar a segurança dos Estados e suas populações começaram ser pensados.

Dentro deste esforço de se expandir os conceitos e definições de segurança a escola de Copenhagen, da ala construtivista das Relações Internacionais, foi estabelecida depois da publicação do livro People, States and Fear: the national security problem in International Relations de Barry Buzan (1998),  uma das grandes contribuições desta escola e de suas publicações, onde também foi  introduzido o termo Securitização. A Securitização como conceito pode ser explicada na forma onde, através do discurso público, um ator nacional ou internacional pode mudar a forma de como um assunto pode ser visto e tratado para refletir mais as necessidades de segurança nacional. Onde antes, por exemplo, uma política pública como o transporte público era discutido somente dentro de um contexto de movimentação de pessoas, com a securitização, as considerações de como isto pode beneficiar a segurança do Estado ou da população passam a ser mais prioritários. 

Um dos efeitos mais pertinentes que este conceito teve dentro dos Estados e as relações entre eles foi o incessante crescimento da visão de segurança nacional dentro de assuntos variados desde a negociações comerciais ou discussões sobre a mudança climática ou cooperação internacional no tratamento de saúde das pessoas.  E muito disso, se deve aos numerosos atentados terroristas que ocorreram durante os anos 1990 no mundo inteiro, porém o ataque que mais serviu de catalisador para esta tendência mundial, foram os atentados de 11 de setembro. Devido a estes atentados que o presidente dos EUA recebeu enormes poderes para se poder vigiar a sua população e a população mundial. Ao presidente americano foi conferido pelo congresso nacional amplos poderes de agir de forma unilateral de alterar políticas públicas nacionais se isso for de interesse da segurança nacional. Tal fato pode ser observado dentro das negociações comerciais da administração do presidente Donald Trump com países como o Canadá, Japão e México, países que são aliados dos EUA, aos quais foram impostos um aumento de tarifas alfandegárias de importação sobre vários produtos porque a administração de Trump se utilizou do discurso de segurança nacional para fundamentar as suas decisões.     

 

Referências Bibliográficas:

Lipschutz, Ronnie D. On security. Columbia University Press, 1998.

Buzan, Barry, et al. Security: A new framework for analysis. Lynne Rienner Publishers, 1998.