Immanuel_Wallerstein.2008

Maria Eduarda Diniz – Acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

No dia 31 de agosto deste ano, morreu o sociólogo Immanuel Wallerstein, mais conhecido por desenvolver  a Teoria do Sistema Mundo (TSM). Nascido em 28 de setembro de 1930, começou a demonstrar interesse pelas Relações Internacionais ainda jovem, em Nova York, com particular atenção para o movimento anti-colonial na Índia. Começou sua carreira acadêmica na Universidade de Columbia, em Nova York, onde conquistou os títulos de bacharel, mestre e doutor, sendo um dos seus primeiros focos de estudo as relações decoloniais na África, entretanto, seus estudos logo ampliaram de foco, partindo para as relações do sistema mundial. Entre os inúmeros títulos que recebeu em vida, ele foi diretor do Centro Fernand Braudel para o Estudo das Economias, Sistemas Históricos e Civilizações da Universidade Binghamton, presidente da Associação Internacional de Sociologia, além de editor da revista trimestral Review e constante contribuinte de revistas importantes como o Le Monde Diplomatique.

As suas concepções acerca da Teoria do Sistema Mundo (TSM) possuem bases  na teoria Marxista, e na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e na Teoria da Dependência. Baseando-se na divisão internacional do Trabalho, ele analisa as relações de desigualdade entre os países dentro do sistema internacional. Uma parte central de sua teoria é a divisão em três níveis desses países: centro, semiperiferia e periferia, sendo os de centro aqueles que produzem bens de maior valor agregado, enquanto os de periferia seriam os produtores de bens de menor valor, sendo constantemente explorados pelos países centrais e, assim, dependendo economicamente e humanitariamente deles. Dentro dessa dinâmica, alguns países aproveitam os benefícios dessa relação e se mantém no meio dela, sendo estes os considerados de semiperiferia, os quais são vistos pelos periféricos como centro, e como periféricos pelo centro.

Porém, essa teoria não se baseia apenas na questão econômica, senão seria chamada “economia-mundo” e não “sistema-mundo”, como o próprio autor advoga. Com isso, ele aponta para a peculiaridade do sistema atual, que já dura 500 anos e não se converteu em um Império-mundo, ou seja, com todos subjugados a uma só força política, assim ele explica que essa “peculiaridade é o aspecto político da forma de organização econômica chamada capitalismo” (WALLERSTEIN, 1974, p. 338). O sistema-mundo atual teria, então, três características: a economia mundial em expansão, através de um comércio em que as economias nacionais se relacionam; a expansão do sistema interestatal, que cria novos Estados e novas fronteiras; e a relação do capital-trabalho. Um diferencial wallersteiniano é caracterizar o momento atual como a crise terminal do sistema mundo atual, o qual só perduraria até 2050, originando algo completamente distinto e ainda incerto. E, de fato, em sua teoria, ele analisa que, por conta da história, que é cíclica, o sistema evolui até que chega num momento de esgotamento e, então, “quebra”.

Referências Bibliográficas:

Sobre Immanuel Wallerstein. Disponível em < https://www.iwallerstein.com/about/

MARTINS, José Ricardo. Immanuel Wallerstein e o Sistema-Mundo: uma teoria ainda atual?. Iberoámerica Social, Dezembro, 2015.

OSÓRIO, Luiz Felipe Brandão. O sistema mundo no pensamento de Arrighi, Wallerstein e Fiori: um estudo comparativo.

ARRUDA, José Jobson de Andrade. Immanuel Wallerstein e o moderno sistema mundial.

ACCO, Marco Antonio. Os Estados, o sistema-mundo capitalista e o sistema interestatal: uma leitura crítica das contribuições de Immanuel Wallerstein. Revista de Economia Política, outubro-dezembro, 2018.