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Matheus Homci – Acadêmico do 4º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

Os sete líderes dos países do G7 (grupo dos sete) começaram o encontro no sábado, dia 24 de agosto. A cúpula acabou sendo ofuscada principalmente pela guerra comercial entre os EUA e a China fazendo com que temas globais como o meio ambiente, recentemente em foco com as queimadas na Amazônia, a questão da fome, a desigualdade de gênero e educação não sejam o principal eixo da reunião. Foi uma reunião do G7 que aconteceu em meio a desestabilizações ao redor do mundo tendo os Estados Unidos como protagonista na maioria delas, não apenas com a China, mas também com as tensões entre Washington e o Teerã.

A necessidade de discutir a economia de uma maneira mais informal teve sua gênese nos anos 70, logo após a crise do petróleo em 1973, a primeira reunião do grupo foi realizada em 1975 com a seis principais economias do mundo. Os principais objetivos da associação são de debater e buscar soluções para assuntos que um só Estado não consegue resolver sozinho, como a crise migratória, o terrorismo e as questões climáticas.

O mundo em que vivemos está cada vez mais interconectado, como Joseph Nye e Robert Keohane afirmam em Power and interdependence (2001), e as consequências disto podem ser tanto boas como o massivo aumento de informação devido a globalização, permitindo um choque de culturas e costumes, quanto ruins, pois, devido a intensificação das relações, problemas que antes seriam locais se tornam regionais e até globais como crises migratórias e econômicas. Este é o contexto em que o conceito de Interdependência complexa foi criado e ganhou força com a chegada de novos integrantes no palco internacional. Ou seja, a reunião do G7 se torna de extrema importância, principalmente quando estes problemas se intensificam.

O livro Power and interdependence (1977) em sua primeira edição explora uma diversidade de maneiras de como a interdependência assimétrica pode ser manipulada pelos Estados que se souberem a utilizar como forma de poder, podem se beneficiar. Contudo, se utilizada de maneira equivocada, poderá acarretar uma série de perdas, como por exemplo quando o então presidente dos EUA, Nixon, impediu a exportação de soja como solução para interromper a inflação do país, uma medida que funcionou a curto-prazo mas em longo prazo o mercado de soja do Brasil cresceu rapidamente e começou a competir com o mercado norte americano.

A reunião do G7 termina com uma série de avanços em temas polêmicos, entre eles, os 7 países concordam sobre a necessidade de não permitir que o irã produza armas nucleares e de promover a paz e a estabilidade da região, além disso, abriu-se possibilidade para uma possível reunião entre Donald Trump e Hassan Rohani. Outra medida que teve destaque foi a de que a cúpula assumiu o compromisso de enviar US$ 20 milhões de forma imediata para contribuir com o combate aos incêndios na Amazônia. Ademais, na Assembleia Geral da ONU, em setembro, os países que formam o grupo vão apresentar um plano de longo prazo para reflorestar áreas desmatadas e para preservar a biodiversidade da floresta.

Referências Bibliográficas:

NYE, Joseph S. Get Smart, Combining Hard and Soft Power. Foreign Affairs, 2009.

NYE, Joseph S; KEOHANE, Robert, Power and Interdependence, Estados Unidos, Longman, 2001.

NYE, Joseph S; KEOHANE, Robert, Power and interdependence in the Information Age, 1998. Disponível em: <https://www.foreignaffairs.com/articles/1998-09-01/power-and-interdependence-information-age>. Acesso em 30 de agosto de 2019.

NYE, Joseph S. Paradoxo do Poder Americano. São Paulo: Editora UNESP, 2002.

NYE, Joseph S. Power and interdependence in the Trump Age, 2019. Disponível em: <https://www.project-syndicate.org/commentary/global-power-and-interdependence-in-trump-era-by-joseph-s-nye-2019-07>. Acesso em 30 de agosto de 2019.