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Alana Andrade – Acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Há quase 10 anos, em dezembro de 2009, a Organização das Nações Unidas (ONU) outorgou a data 29 de agosto para celebrar o Dia Internacional contra Testes Nucleares. O simbolismo deste dia se deve ao encerramento de um dos maiores locais de ensaios nucleares, Semipalatinsk, no Cazaquistão. Deste então, o dia se tornou um marco internacional de conscientização para o mundo, trazendo lembranças dos riscos e prejuízos que o uso de armas nucleares trouxe, e também como uma pequena nota de censura diante da mídia mundial para os países que ainda não ratificaram o Tratado Abrangente de Proibição de Testes Nucleares (CTBT, sigla em inglês).

O Comprehensive Nuclear-Test-Ban Treaty(CTBT), surgiu em 1996 com a promessa de ser um dos passos para o futuro desarmamento nuclear mundial. Segundo a ONU, esse tipo de armamento surgiu para “destacar a sofisticação científica ou força militar dos países”(2017), de forma que, passada a ameaça da Guerra Fria, esse tipo de força não encontraria lugar no mundo. Entretanto, 9 países detentores de arsenal nuclear não ratificaram o acordo, são eles: China, Coreia do Norte, Egito, Índia, Irã, Israel, Paquistão e Estados Unidos. Este último, que recentemente estampou as manchetes de jornais mundiais com a sua saída de outro tratado, desta vez o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário(INF), que gerou acusações mútuas de descumprimento com a Rússia, aos moldes da Guerra Fria. 

E para entendermos como depois de tanto tempo esta ameaça ainda persiste, e com os mesmos atores (não os únicos claramente), vê-se necessário a utilização de aparatos teóricos que expliquem certos comportamentos estatais. Para isso é inegável a contribuição do autor neorrealista ofensivo John Mearsheimer para este assunto. Sua obra magna “The Tragedy of Great Powers Politics”(2001) demonstra como os Estados estão propensos a querer aumentar seu poder devido a própria lógica do Sistema Internacional, que por sua vez, é anárquico, ou seja, não possui algo “superior” que vá controlar a todos. Desta forma, segundo demonstrado no texto, os Estados não têm segurança do comportamento do outro, e até mesmo através da fala dos Chefes de Estado não se pode confiar, pois suas intenções podem ser mascaradas e as reais capacidades militares, omitidas, logo, a estratégia que acaba dominando a relação entre os Estados, seria a de que poder e segurança são diretamente proporcionais, de maneira que ao se tornar o ator mais poderoso do cenário (o hegemônico), logicamente será o mais seguro. As demonstrações de poder também são formas de realizar esta estratégia, dado que é preciso convencer o outro da sua posição de poder, mesmo que seja apenas blefe, assim, a busca por melhores tecnologias na área militar significam maior chance de sobrevivência nesse sistema, por conseguinte, o medo é inerente e, portanto cenários como este sempre farão parte da história humana.

Levando em consideração os aspectos teóricos mencionados acerca do comportamento dos Estados, o Dia Internacional contra Testes Nucleares poderá ser considerado apenas isso, um “dia”. A todo o momento surge uma notícia de testes feitos, seja a Coreia do Norte com mísseis de curto alcance, ou uma misteriosa explosão na base russa que acaba liberando radioatividade. 

Referencias Bibliográficas:

Pompeo rejeita testes nucleares da Coreia do Norte. Estado Minas. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/08/20/interna_internacional,1078585/pompeo-rejeita-testes-nucleares-da-coreia-do-norte.shtml&gt;. Acesso em: 23 ago. 2019

Acidente Nuclear: O que a Rússia tenta esconder?. Deutsche Welle. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/acidente-nuclear-o-que-a-r%C3%BAssia-tenta-esconder/a-50142034&gt;. Acesso em: 23 ago. 2019

Dia Internacional contra Testes Nucleares. ONU News. Disponível em: <https://news.un.org/pt/tags/dia-internacional-contra-testes-nucleares&gt;. Acesso em: 22 ago. 2019

SAMPAIO, Maria Feliciana N. O. de. O Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBT): Perspectivas para sua entrada em vigor e para a atuação diplomática brasileira. Brasília: FUNAG, 2012.

MEARSHEIMER, John. The Tragedy of Great Power Politics. Chicago: University of Chicago, 2001.