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Maria Carolina – Acadêmica do 5º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Cosmopolitismo (do grego kosmopolítes, kosmós =  mundo e polites = cidadão) é uma teoria e pensamento filosófico caracterizado por desconsiderar fronteiras geográficas definidas pelos Estados e considerar a humanidade como uma só. O principal autor desta teoria é Andrew Linklater (1949 – ), Professor de política internacional da Aberystwyth University, no País de Gales.

         A vertente cosmopolita advém da Teoria Crítica das Relações Internacionais, que teve suas origens na Escola de Frankfurt a partir do séc. XX, através de filósofos como Max Hokheimer (1895 – 1973), Theodor Adorno (1903 – 1969) e Herbert Marcuse (1898 – 1979), que vinculou a “teoria crítica” aos questionamentos da ordem social e política moderna (JATOBÁ, 2013).

         A Teoria Cosmopolita, considerada uma teoria contemporânea, tem como seus ideais a liberdade e igualdade humana, cidadania mundial, importância do meio ambiente e a possibilidade de criar princípios éticos mundiais.

         Para Linklater (1982), faz-se necessário a existência de um sentimento cosmopolita por meio de um universalismo moral, pois sua ideia aponta que um Estado só alcançará a paz, quando todos os outros estiverem plenos também. Seu principal objetivo é estabelecer uma consciência mútua para promover a manutenção da dignidade humana e seus direitos básicos.

         O que está em causa no trabalho de Linklater é afinal o desenvolvimento de formas de organização política que reduzam a desigualdade material e promovam a emancipação, que se demonstrem mais tolerantes e integrantes de diferenças culturais e que se revelem mais universalistas, expandindo as fronteiras da comunidade política de forma a integrar mais indivíduos, inclusive aqueles culturalmente externos a cada sociedade, na autodeterminação democrática de políticas que potencialmente os afetem. (LINKLATER apud PEDRO e SARAMAGO.2014, p. 317)

 

         Em sua obra Men and Citizeny in the Theory of International Relations, Linklater procura uma forma de atualizar o pensamento kantiano, reformulando a ideia de contrato social com uma responsabilidade coletiva no âmbito da cidadania ampliada.

O projeto de Kant começa por estabelecer os fins que os homens têm o dever incondicional de promover, como seres racionais com capacidade para escapar do mundo de determinação natural. E ele continua defendendo a transformação radical do mundo político na direção de uma condição na qual todos os seres humanos vivam conforme os imperativos enraizados na natureza racional comum (LINKLATER, 1990. p.99)

         Em sua obra, ele destaca que neste pensamento político existe uma tensão entre as obrigações de um indivíduo como cidadão do Estado, e como cidadão do mundo, membro da espécie humana. Linklater explica que essa tensão só pode ser solucionada através de um formato moral universalista que seja capaz de uma integração e inclusão maior que os Estados-nação permitem. 

      Para o autor é necessário que os Estados formem organizações supranacionais democráticas que sejam eficientes para balancear a relação entre as obrigações advindas da cidadania estatal, e das derivadas da espécie humana como um todo. Andrew Linklater é considerado um dos principais nomes da “viragem crítica” das Relações Internacionais e permanece como o principal autor  da Teoria Cosmopolita.

 

REFERÊNCIAS

CASTRO, Thales. Teoria das Relações Internacionais. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão  2016.

LINKLATER, Andrew. Men and Citizens in the Theory of International Relations. London: Palgrave Macmillan, 1982.

LINKLATER, Andrew. Men and Citizenry in the Theory of International Relations. Segunda edição. Londres: Palgrave Macmillan, 1990.

PEDRO, Guilherme Marques. SARAMAGO, André. Em: MENDES, Nunes Canas. COUTINHO, Francisco Pereira. Enciclopédia das Relações Internacionais. Portugal: Publicações Dom Quixote, 2014.