A teoria Construtivista das Relações Internacionais

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Matheus Homci – Acadêmico do 3º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A teoria construtivista surge nos estudos de Relações Internacionais primeiramente em 1989, quando Nicholas Onuf lança o livro World of Our Making (Mundo Feito por Nós) e depois foi aprofundada pelo artigo de Alexander Wendt (1992), intitulado Anarchy is What States Make of It (Anarquia é O que Estados Fazem Dela)”. Os títulos dessas publicações já deixam explícito uma das suas principais premissas, a de que o mundo em que vivemos, somos nós quem construímos e que ele é produto de nossas escolhas.

 Além disso, ela apresenta uma base teórica mais abrangente que as teorias que a antecederam (Neorrealismo e o Neoliberalismo) negavam ou não usavam até então, limitando-se a conhecimentos positivos, temas tangíveis e exclusivamente materialistas: o papel de outras ciências em seus estudos. Diferente destes, o Construtivismo aborda o “tangível” assim como também os temas intangíveis, como por exemplo, temas da filosofia, da sociologia, e das ciências sociais em geral.

A teoria não é considerada homogênea, pois, como proposto por Emanuel Adler (1999), onde ele faz uma divisão interna entre os teóricos construtivistas, separando-os em “Modernistas” no qual ele se faz presente; os que são “guiados por regras” representados por Onuf e Kratochwil, além de um terceiro grupo que procura aprofundar o conhecimento narrativo. É dada uma atenção particular às narrativas baseadas em gênero (TICKNER, 1992), ademais, começa a dar maior importância a movimentos sociais e busca um desenvolvimento dos interesses de segurança. E por fim, os pós-modernos, que focam no método genealógico de Foucault (Price, 1995).

Apesar da afirmação do parágrafo anterior, é possível notar quatro premissas que convergem pontos em comum entre os teóricos construtivistas. O primeiro ponto seria, exatamente a de que o mundo é construído socialmente. Segundo Nogueira e Messari (2005), os teóricos concordam que a premissa central e comum a todos os construtivistas é que o mundo não é predeterminado, mas sim construído à medida que os atores tomam suas decisões. A segunda premissa, seria a negação da antecedência no debate agente-estrutura, ou seja, os teóricos negam simultaneamente que os agentes precederiam a estrutura e vice-versa, pois, ambos são co-constituídos, e jamais um terá precedência sobre o outro ou sobre a capacidade de se influenciar. A terceira premissa selecionada é a de que, o construtivismo não descarta causas materiais, mas sim, relaciona as ideias e valores e demonstra como a relação do agente com o mundo material possuem uma função central na criação do conhecimento global.

Finalmente, a quarta premissa, onde a teoria construtivista na sua gênese seria uma metateoria, ou seja, ela analisa e discute os postulados das teorias que a antecederam que eram as teorias neorrealista e neoliberal, dessa forma, questionando a validade integral destas. Mas, conforme o construtivismo evoluiu, e começou a explicar o Sistema Internacional com seus próprios conceitos e postulados, ela se tornou uma teoria, pois nesse momento ela observava e examinava o sistema.

Referências:

ADLER, Emanuel. O construtivismo no estudo das Relações Internacionais. Lua Nova, n. 47, p. 201-246, 1999.

BARBOSA, Gabriela (2010). O Construtivismo e Suas Versões no Estudo das Relações Internacionais. V Congreso Latinoamericano de Ciencia Política. Asociación Latinoamericana de Ciencia Política, Buenos Aires.

NOGUEIRA, João Pontes & MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais: correntes e debates. RJ: Elsevier, 2005.

TICKNER, J. Ann. Gender in International Relations. New York. Columbia University Press, 1992.

 WENDT, A. Anarchy is what states make of it: the social construction of power politics. IN: VIOTTI, Paul. KAUPPI, Mark. Intrenational Relations Theory. p. 434-458.

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