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Gabriela Freitas – Acadêmica do 6° semestre de Relações Internacionais da UNAMA 

Robert Gilpin (1930-2018) foi um estudioso de economia política internacional e o professor de Política e Assuntos Internacionais na Escola Woodrow Wilson de Assuntos Públicos e Internacionais na Universidade de Princeton. Gilpin especializou-se em economia política e relações internacionais, estudando especialmente o efeito das corporações multinacionais na autonomia do Estado. Ele descreve a sua visão das relações internacionais e da economia política internacional do ponto “realista”, explicando em seu livro Global Political Economy que ele se considera um “realista centrado no Estado” na tradição dos “realistas clássicos” proeminentes como E. H. Carr e Hans Morgenthau. Concentrou seus interesses na pesquisa e aplicação do pensamento “realista” às políticas americanas contemporâneas no Oriente Médio. Gilpin criticou abertamente a política em torno da invasão do Iraque, em 2003, em seu ensaio intitulado “A guerra é muito importante para ser deixado aos amadores ideológicos”. 

Teórico das Relações Internacionais, Robert Gilpin investigou as mútuas relações entre segurança e economia, o qual teve uma grandiosa contribuição para o desenvolvimento da disciplina Economia Política nas Relações Internacionais. Trilhando por essas relações, o teórico publicou em 2000 o livro titulado de “O Desafio do Capitalismo Global”, no qual apresenta a Teoria da Estabilidade Hegemônica, segundo a qual uma economia internacional liberal estável só seria possível se sustentada por uma potência hegemônica que garanta a provisão dos bens públicos internacionais: uma ordem internacional liberal, a segurança internacional, um sistema monetário estável e fornecedor de empréstimos, em última instância, internacional. No qual aplica-se, o postulado “para que exista uma economia liberal estável é necessário um estabilizador”. 

Algumas outras preocupações a respeito do sistema econômico global são apuradas ao decorrer da obra. Tais relacionadas com as fragilidades e incertezas a capacidade dos Estados poderosos de gerir o sistema, o que exigiria, conforme Gilpin, uma certa disciplina. Alguns perigos atuais poderiam reforçar esse aspecto de uma economia global aberta, sendo um deles o regionalismo econômico, cujo a movimentação em direção ao regionalismo econômico ameaçaria a sobrevivência de uma economia global aberta e integrada. Pois, as políticas de integração regional agiriam no sentido de provocar uma espécie de dilema da segurança, “no qual uma regionalização vai gerando outra”. 

E tal estratégia foi aplicada no governo Clinton sendo denominada como uma política de “regionalismo norte-americano”. Tendo colocado como um fim em si mesmo e não como plataforma para um sistema comercial multilateral. Tais resultados, geraram uma série de críticas de Gilpin ao governo norte americano em relação à formação do acordo de Livre Comércio de América do Norte (Nafta) e às iniciativas para um acordo de Livre Comércio para as América (Alca). Segundo o teórico, nos governos de Ronald Reagan e George Bush, o Nafta era encarado como um elemento de barganha para estimular ou pressionar a Europa Ocidental na Rodada Uruguai do Gatt a liberalizar o comércio. Desta forma, existe o risco de que os Estados Unidos e outros países retomassem as práticas protecionistas

 

Referências:

GILPIN, Robert. A Política Internacional das Relações Internacionais (versão em português). Disponível em:<https://archive.org/details/AEconomiaPoliticaDasRelacoesInternacionais2002RobertGilpin/page/n3> Acesso em 28 jun 2019.