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Isabele Reis – Acadêmica do 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA 

Nascido em 14 de dezembro de 1947, John Joseph Mearsheimer é um professor norte-americano de Ciência Política e teórico das Relações Internacionais. Escritor de inúmeras obras sobre questões de segurança e política internacional como Grande desilusão: Sonhos liberais e realidades Internacionais (The great delusion: Liberal Dreams and International Realities) e a Tragédia das Grandes potências políticas (The Tragedy of Great Power Politics); Mearsheimer teve uma contribuição muito importante para os estudos das Relações Internacionais, principalmente ao que diz respeito as suas produções acerca do Realismo Ofensivo. 

John Mearsheimer tem suas ideias distintas de autores realistas como Kenenth Waltz a partir do momento em que se acredita em uma perspectiva estatal em busca de aumento de poder, enquanto Waltz acreditava na concepção de que os Estados se estabeleciam em uma posição defensiva no cenário internacional.

O Realismo Ofensivo, tendo como suporte os conceitos de autores anteriores do Realismo, baseia-se na ideia de que os Estados são atores racionais que buscam sempre a promoção de seus interesses no Sistema Internacional, o qual caracteriza-se pela sua estrutura anárquica.

Devido a essa estrutura, as grandes potências são obrigadas a competirem entre si em termos de segurança, segurança definida no realismo ofensivo como capacidade bélica, muitas das vezes possibilitando o início de uma guerra. A partir deste pensamento, é admitida a percepção de que as intenções dos oponentes são imprevisíveis e inconfiáveis, portanto, é necessária a busca gradativa pelo domínio. Os Estados estão a todo momento buscando a maximização de seu poder, a fim de alcançar a hegemonia, fator que garante a sobrevivência estatal em um sistema extremamente inseguro. 

No Realismo Ofensivo a compreensão de poder é inserida como: Capacidade material acrescida da capacidade latente, poder latente sendo a habilidade de um Estado em transformar sua posse em poder militar, seja população, tecnologia etc. – Poder terrestre como principal meio de aquisição territorial e poderio militar, tendo poder naval e aéreo como auxiliadores. 

O termo “Poder-Força” é utilizado para tratar dos artifícios que um Estado deve dispor para assegurar sua segurança e sobrevivência no Sistema. Visto que é impossível tornar-se uma hegemonia de forma pacífica, existe a necessidade do Estado buscar a ampliação de seu poder-força bem como suas estratégias de segurança para atingir tal hegemonia regional. A consolidação de uma hegemonia regional é importante tanto pela garantia da continuidade do seu domínio quanto pela consciência de que a ascensão a um status de hegemonia global se torna praticamente impossível, devido a constante competição das grandes potências para se tornar um hegemon. A hegemonia seria, ademais, influenciada pelas próprias características do sistema internacional anárquico, que “encoraja os Estados a buscarem(-na)” (MEARSHEIMER, 2007). 

Para que haja mais segurança diante da posição violenta das grandes potências, são dispostas estratégias como “Balance”, “Buck-passing” e “Bandwagon”. A estratégia de Balance nada mais é do que a aliança entre duas nações com a finalidade de impedir o aumento do poder de uma terceira nação. Dessa forma, o Estado se uniria com o oponente da grande potência em evolução e disporia de mecanismos de ajuda mútua, compartilhando recursos e estabelecendo uma aliança defensiva, criando um equilíbrio regional. O Buck-passing é a ação de incumbir a responsabilidade de atuação a outro Estado, evitando assim um desgaste. E o Bandwagon acontece quando Estados menores e com poder-força reduzido se aliam a grandes potências com a finalidade de se proteger. Para o autor, um líder político deve se trajar de mecanismos de defesa com o objetivo de amedrontar outros Estados de forma com que se acredite ter um poder-força (mesmo ele não existindo) e, desta forma, adquirindo o respeito entre os demais. Toda essa busca ininterrupta por poder acaba gerando um dilema de segurança no sistema internacional, pois ao existir potências com forte capacidade militar, intimidando outros Estados e influenciando-os a armar-se cada vez mais como forma de prevenção. 

Mearsheimer adentra na abordagem da posição de poder dos Estados Unidos em contrapartida com a ascensão da China, e analisa a probabilidade de existir uma competição entre potências equivalentes, propiciando o advento da guerra. De acordo com as premissas do realismo ofensivo, a ascensão da China não provocaria uma instabilidade no sistema internacional, pois sua perspectiva de crescimento se reflete em uma hegemonia regional, visto que o alcance de uma hegemonia global é inviável e até irreal. Nesse caso, a China se estabeleceria em seus respectivos tópicos de prioridades como economia e segurança, e maximizaria seu acuúmulo de poder como visa o realismo ofensivo. 

Desta forma, o Realismo Ofensivo de John J. Mearsheimer busca, dentre outros propósitos, o esclarecimento do comportamento agressivo dos Estados no Sistema Internacional diante de sua estrutura anárquica, e disponibiliza meios de percepção da motivação pela busca incessante de poder por parte dos Estados, e seus reflexos na estrutura do Sistema Internacional. 

Referências:

    John J. Mearsheimer. Disponível em: <http://mearsheimer.uchicago.edu/> acessado em 25 de junho

    Structural Realism. Disponível em:<https://mearsheimer.uchicago.edu/pdfs/StructuralRealism.pdf> acessado em 25 de junho

     MEARSHEIMER, John. “A Tragédia da Política das Grandes Potências”. Lisboa: Gradiva, 2007. 

  NOGUEIRA, João Pontes & MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais: correntes e debates. RJ: Elsevier, 2005.