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Paula Castro – Acadêmica do 3º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA  

O trabalho faz parte da natureza humana e por meio dele, os seres humanos constroem o mundo e edificam sua própria identidade. No entanto, as mudanças recentes que ocorreram no ambiente de trabalho devido a fatores como a globalização, novas tecnologias e competição no mercado de trabalho acabam gerando um desgaste físico e mental em grande parte dos trabalhadores. A Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional foi adicionada à Classificação Internacional de Doenças pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que lista as enfermidades e estatísticas de saúde a nível global. 

O termo burnout, de origem inglesa, deriva do verbo to burn out, que significa “queimar-se”, “consumir-se”. A Síndrome de Burnout foi denominada pela primeira vez pelo psicanalista alemão Herbert J. Freudenberger para definir um estado de esgotamento físico e mental causado por diversas condições desgastantes no ambiente de trabalho. Segundo Pêgo (2016), a Síndrome de Burnout é um problema que atinge profissionais em serviço, principalmente aqueles voltados para atividades de cuidado à terceiros, no qual a oferta do cuidado ou serviço frequentemente ocorre em situações de mudanças emocionais. Desta forma, o burnout atinge, em sua grande parte, profissionais que mantêm relação direta e constante com outras pessoas, como policiais, bombeiros, professores, médicos, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros.

A teoria neoliberal se caracteriza por considerar que o Estado, em meio à anarquia do sistema internacional, busca alcançar seus interesses por meios pacíficos e pela cooperação com outros Estados. Desta forma, o papel das instituições e organizações internacionais é fundamental no processo de interação global. Robert Keohane (1986), assim como outros autores neoliberais, afirma que o Estado não atua mais sozinho na sociedade global porquê o surgimento e a influência de novos atores, como organizações internacionais e empresas transnacionais, cria um processo de interdependência entre eles, a qual o autor define como Interdependência Complexa. 

Desta forma, o ato da OMS de reconhecer a Síndrome de Burnout como doença evidencia uma forma de ajuda à parcela da população que sofre com esse problema, tendo em vista a grande influência e credibilidade das organizações internacionais no cenário mundial. De acordo com Keohane e Nye (1989), a Interdependência Complexa tem como uma das características principais a existência de múltiplos canais de comunicação e negociação que conectam as sociedades (CAMARGO, JUNQUEIRA, 2013), fazendo com que os Estados-membros compartilhem dessa agenda e, assim, atenda às demandas da população no combate à esta doença, tendo em vista que 32% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a Síndrome de Burnout, segundo dados da ISMA-BR (International Stress Management Association). Portanto, podemos concluir que, por meio de ações e projetos da OMS voltada a seus estados-membros, será possível auxiliar as pessoas portadoras da Síndrome de Burnout para o combate a esse problema que vem atingindo múltiplos trabalhadores atualmente.

 

Referências:

ALVES, Marcelo Echenique. Síndrome de Burnout. Porto Alegre. Instituto Stokastos

CAMARGO, Alan Gabriel; JUNQUEIRA, Cairo Gabriel. A teoria neoliberal nas Relações Internacionais: o tripé institucional e o papel do Estado

LOPES, Francinara Pereira; PÊGO, Delcir Rodrigues. Síndrome de Burnout. Anápolis. UNiEVANGÉLICA, 2015.

OMS classifica síndrome de burnout como doença resultante de estresse crônico. Disponível em <www.institutomongeralaegon.org> Acesso em: 14 junho 2019

ROCHA, Fábio Freitas; SANTOS, Gisele Simas. Síndrome de Burnout em Profissionais da Saúde.