Anna Victhoria Oliveira – Acadêmica do 3º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

O Pianista é um filme lançado em 2002 que recebeu vários prêmios e indicações, assim como os envolvidos no processo de criação. O longa compõe uma história emocionalmente devastadora com diversos pontos efetivos para o entendimento do espectador, sendo uma delas a em que a família do protagonista une seus vinte zlotys (moeda polonesa) restantes para a compra de um pequeno caramelo e o dividem em seis pedaços: um para cada membro. Isso ocorreu enquanto tais aguardavam o trem de transporte, então o dinheiro não seria útil, portanto, o vendedor, um garoto, seguiu com os doces. No mesmo local de espera, também é possível ver uma moça pedindo ajuda pois seu filho está morrendo de desidratação, além do casal cujo a mulher havia matado o próprio bebê para se livrarem dos alemães — uma atitude drástica que não levou a lugar algum.

Intenso do começo ao fim, uma das curiosidades merece ser notória: Adrien Brody, que interpretou o protagonista Wladyslaw Szpilman, fez muito para encaixar-se no papel. Em suas próprias palavras para a BBC: “A beleza da minha profissão é que ela me dá a oportunidade de desistir de quem sou e tentar entender outra pessoa, outra época, outra luta, outras emoções”. Adrien teve de iniciar uma dieta para perder peso logo no começo das gravações, pois as filmagens foram feitas de trás para frente. Ele perdeu mais de quinze quilos e explicou que foi doloroso, mas revelador.

“Junto com a fome vem uma sensação de vazio que eu nunca havia experimentado. Não poderia ter interpretado (esse sentimento) sem tê-lo conhecido. Já vivi perdas, senti tristezas na minha vida, mas não conhecia o desespero que vem com a fome”, o ator relatou. No filme, esse desespero pode ser visto, por exemplo, em uma cena de roubo. Ambos os envolvidos são necessitados e, enquanto puxam uma lata de feijão, por acidente deixam cair e o alimento suja todo o asfalto. O homem se joga e começa a comer direto com a boca em puro desespero, a mulher bate em sua cabeça com um chapéu sem poder fazer muito e, seguintes depois, retira-se em prantos.

Por conta de seu trabalho impecável e esforço, não só para atuar, mas para colocar-se na pele de Wladyslaw, ele ganhou o Oscar de Melhor Ator de 2002 e um César. Hoje, ele está saudável e guarda imenso orgulho por tudo que fez.

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Voltando ao filme, é possível acompanhar a história de um jovem músico judeu que vivia na Varsóvia quando foi invadida durante a Segunda Guerra Mundial. Ele procurava compreender a ocupação dos nazistas na Polônia, junto também das degradações, atitudes lascivas, da criação do Gueto de Varsóvia, Holocausto e afins. Wladyslaw Szpilman, que tocava Chopin em uma rádio de Varsóvia quando as primeiras bombas alemãs caíram; sua primeira reação foi não querer ir a lugar algum. A família do músico era próspera, aparentava estar segura e conforme é possível ver os nazistas tomando posse, a situação se torna um tanto mais estável quando é relatado que a França e a Inglaterra declararam guerra, contanto que os intrusos seriem derrotados logo e a vida voltará ao normal.

Entretanto, ela não volta. Os judeus da cidade são forçados a desistir de suas posses e se mudam para o Gueto de Varsóvia, onde podem assistir a construção de uma parede de tijolos para delimitar. Uma força policial judaica é formada para reforçar os regulamentos nazistas e um lugar é oferecido a Szpilman, mas ele se recusa e um bom amigo, que se junta mais tarde, salva sua vida ao arrancá-lo de com destino aos campos da morte. A partir de então, o caminho seguido por Wladyslaw se torna incerto e ele precisa esconder-se com maestria para não ser pego.

Chegando no final do filme, Szpilman é descoberto por um alemão que pede para que ele toque uma música no piano do lugar, pergunta se ele tem comida, o que era uma lata recém-aberta que havia caído no chão quando chegou, e vai embora. Torna-se um “aliado” e trata de levar alimento para o músico, além de entregá-lo seu sobretudo, que o causou um problema depois.

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O próprio Polanski, diretor do filme, é um sobrevivente do Holocausto, salvo em um momento em que seu pai o empurrou através do arame farpado de um acampamento. Ele vagou por Cracóvia e Varsóvia, uma criança assustada, cuidada pela bondade de estranhos. Sua própria sobrevivência (e a de seu pai) é, em certo sentido, tão aleatória quanto a de Szpilman, e talvez por isso ele tenha se sentido atraído por essa história. Steven Spielberg tentou recrutá-lo para dirigir a “Lista de Schindler”, mas ele recusou, talvez porque a história de Schindler envolvesse um homem que deliberadamente pretendia frustrar o Holocausto, enquanto por experiência pessoal Polanski sabia que o destino e o azar desempenhariam um papel inexplicável na maioria dos sobreviventes.

REFERÊNCIA:

BBC. A dor e o prazer de interpretar ‘O Pianista’. Disponível em: <:https://www.bbc.com/portuguese/cultura/030312_osbrodyamt.shtml:&gt;.  Acesso em: maio de 2019