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Henrique Kuroda – Acadêmico do 3º Semestre do curso de Relações Internacionais da UNAMA 

Nesta semana vimos a festa da democracia, pois foi realizado na União Europeia as eleições programadas a cada cinco anos para o Parlamento Europeu e como isso representa uma integração do continente de forma cada vez mais intensa e notável para o mundo.

Desde o início da segunda década do século XXI, começou um forte período de questionamentos sobre a eficácia da União Europeia e como a mesma demonstrava silenciar a vontade dos membros, com determinados grupos afirmando que a organização viola o conceito de soberania nacional. Além disso, com o polêmico Brexit, houve um forte questionamento sobre o futuro da Europa, levando a mais da metade dos eleitores para as urnas, embora que os partidos mais tradicionais ainda tenham força em relação às eleições anteriores em 2014, perderam espaço para partidos nacionalistas e ambientalistas.

Ademais, mesmo após os resultados das eleições, houve desentendimentos entre Merkel e Macron em relação a quem vai comandar o conselho europeu, presenciando uma clara disputa de poder e para adicionar, o atual presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirma que é necessário um líder pró-UE.

Diante dos fatos citados anteriormente, utilizaremos a teoria neoliberal das Relações Internacionais para explicarmos a complexidade de uma organização como a União Europeia, que vai muito mais além do que uma O.I, mas sim como uma organização supranacional revestida de poderes que abrangem de forma positivada todos os estados-membros e associados e integrando um continente inteiro como um todo, suprimindo antigas rivalidades entre os membros que levaram a guerras truculentas.

Com o pensamento de Joseph Nye e de Robert Keohane, cuja obra foi sobre a interdependência complexa, ou em inglês, Complex Interdependence, assume que em um mundo cada vez mais integrado, um conflito em quaisquer escalas se tornaria mais improvável de acontecer, já que muitos atores dependem um do outro, portanto, suprimindo esta possibilidade. Ademais, as agendas interestatais não envolvem um arranjo hierárquico claro, sendo que isto acarreta em consequências, já que os problemas domésticos e internacionais se misturam. O conceito de interdependência complexa também afirma que os estados cooperam uns com os outros pois os seus interesses convergem e isso resulta em uma estabilidade.

partir do que foi citado anteriormente, podemos entender que o argumento dos partidos nacionalistas sobre o desrespeito da soberania nacional se dá pelo simples motivo de que as questões internas e externas dos estados estão se misturando de maneira complexa com a agenda da União Europeia, causando enormes desentendimentos entre alguns países como a Hungria por exemplo, com a União Europeia. 

Apesar da discordância entre Merkel e Macron, e das citações de Donald Tusk, todos tem um objetivo em comum já bem destacado em discursos, pronunciamentos e em eventos da organização, de que é a manutenção da União Europeia como um todo, evitando possíveis saídas de outros membros.

Diante dos fatos, afirma-se que as eleições realizadas no dia 26 representam a importância e a necessidade de um diálogo para a solução dos problemas apontados e analisados, visando manter uma integração e uma união diante do período de questionamentos perante as políticas internacionais. 

Referências:

Entre Merkel et Macron, désaccords annoncés sur le choix des dirigeants européens. Disponível em <www.lemonde.fr>. Acessado em: 30 maio 2019

Eleições Europeias 2019: O que esperar para o futuro da Europa? Disponível em <www.revistaforum.com.br> Acesso em: 28 maio 2019

EU Commission: France and Germany differ on Brussels’ top job. Disponível em <www.bbc.com> . Acesso em: 28 maio 2019

KEOHANE, Robert. O; NYE JR, Joseph. S. Power and Interdependence: Fourth Edition. Pearson Education, Inc. 2012

WAHEEDA, Rana. Theory of Complex Interdependence: A Comparative Analysis of Realist and Neoliberal Thoughts. International Journal of Business and Social Science. 2015