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Ana Beatriz Cruz da Costa –  Acadêmica do 3º Semestre de Relações Internacionais

As teorias positivistas, Neorrealismo e Neoliberalismo, buscam de forma racional a previsão de acontecimentos através da relação entre causa e efeito, admitindo a natureza anárquica do sistema internacional e a presença de vários atores.

O debate acerca dessas perspectivas consiste na descontinuidade de pensamentos entre as teorias, onde a visão Neorrealista se mantém inflexível a respeito da soberania estatal, acreditando que o poder bélico é excepcional para a sobrevivência do Estado devido à inexorabilidade da guerra. Além disso, ressaltam que o Estado é o único ator no sistema internacional, por isso vão afirmar que as instituições internacionais são reflexos dos interesses de Estados que as criam e moldam, em razão disso são vistas como ineficazes.

Por outro lado, a perspectiva Neoliberalista acredita que a guerra pode ser evitada a partir de vários recursos como a cooperação e, entre outros, a visão Neoliberal também reconhece novos atores no sistema internacional como empresas transnacionais, que influenciam nas políticas internas e externas dos Estados, e instituições internacionais, as quais viabilizam cooperações em prol de ganhos mútuos e buscam maior flexibilidade da soberania estatal.

As Colinas de Golã anteriormente eram território Sírio, porém com a “Guerra dos seis dias” Israel ocupou a região e anexou o território. Entretanto, essa anexação não foi reconhecida internacionalmente e, desde então, a Síria busca recuperar esse território ou parte dele. Essa região é vista como um grande ponto estratégico devido seus recursos hídricos e solo fértil, além de ter grandes vantagens por seu relevo e localização geográfica, pois o Sul da Síria é claramente visível do topo das Colinas de Golã o que permite Israel monitorar os movimentos militares, obtendo assim vantagens em ataques ou defesas.

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu publicamente as Colinas de Golã como território de Israel, enquanto outros países e organizações o consideram como uma ocupação de Israel na Síria, como exemplo a OTAN que solicitou em 1967 a retirada das forças armadas de Israel dos territórios ocupados. Essa declaração causou grande indignação dos povos Árabes pelo fato de seu direito de conquista e soberania serem desconsiderados.

Partindo da premissa Neorrealista de Kenneth Waltz acerca desses acontecimentos, é possível afirmar que esse apoio exacerbado entre EUA e Israel pode ser classificado como um bandwagon, pois além de afinidades ideológicas e questões econômicas, há também aliança militar que consiste em fornecimento de poder força entre uma grande potência e um Estado menor. Segundo Waltz, a partir da natureza anárquica do sistema internacional, sistemicamente uma guerra eclodirá desse conflito, mas primeiramente devido ao Equilíbrio de Poder os Estados Árabes usarão de todos os recursos possíveis para garantir sua sobrevivência e soberania.

Aplicado a essa situação, J.Measheimer concorda com a inexorabilidade da guerra causada pela anarquia do Sistema Internacional assim como Waltz, afirmando também a necessidade de um poder supranacional para controlar esse Sistema. Porém, discorda de Waltz em relação ao equilibro de poder, pois afirma que o mesmo é instável e ineficiente. A partir da ação da OTAN que não obteve resultados ao pedir que as forças armadas de Israel se retirassem dos territórios é possível conectar com a obra de Mearsheimer “The false promisse of international institucions”, onde as instituições internacionais se mostram ineficazes em frente a soberania dos Estados e na resolução de conflitos.

Já a premissa Neoliberal, com base nos pensamentos de Joseph Nye e no Institucionalismo Liberal de Robert Keohane, acredita que esse conflito entre Israel e Estados Árabes pode não vir a se tornar uma guerra devido a Diplomacia de concertação, que almeja caminhos pacíficos através de cooperação para ganhos mútuos mediados por instituições internacionais, chamada de relação “Win-Win” por Joseph Nye. O reconhecimento das Colinas de Golã como território de Israel pelo Presidente dos EUA, pode ser identificado como Soft Power com base nas teorias de Nye, pois os EUA possuem grande influência no cenário internacional e o discurso de Donald Trump pode ocasionar em diversas mudanças além de ratificar o apoio à Israel.

Referências:

NEWS, BBC. Qual a importância das Colinas de Golã, que Trump quer reconhecer como território de Israel. As colinas de Golã têm significado político e estratégico., G1, 22 mar. 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/03/22/qual-a-importancia-das-colinas-de-gola-que-trump-quer-reconhecer-como-territorio-de-israel.ghtml. Acesso em: 24 abr. 2019.

WINTER, Chase. O que são as Colinas de Golã e qual a sua importância?. Soldado israelense nas Colinas de Golã, que o direito internacional considera território ocupado, DC, 22 mar. 2019. Disponível em: https://p.dw.com/p/3FVW2. Acesso em: 24 abr. 2019.

NYE JR. , Joseph S. Get Smart. Combining Hard and Soft Power., Council of Foreign Relations, 07 2009.

NYE JR., Joseph S. Cooperação e Conflito nas Relações internacionais. Essencial para entender as principais questões da política mundial., 2009.

MEARSHEIMER, Jonh J.“The False Promise of International Institutions”. International Security, 19, 3, Winter, 1994-1995.