Resenha: Ao Sul da Fronteira

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Anna Victhoria Oliveira – Acadêmica do 3º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

No documentário político Ao Sul da Fronteira, o diretor Oliver Stone viaja por seis países da América do Sul e ainda Cuba, em uma tentativa de compreender o fenômeno que os levou a ter governos de esquerda na primeira década do século XXI. Através de eventos, diálogos e entrevistas com representantes como o venezuelano Hugo Chávez que ganha palco no início da discussão, a argentina Cristina Kirchner, o boliviano Evo Morales, o paraguaio Fernando Lugo, o equatoriano Rafael Correa, o cubano Raul Castro, e, por fim, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

É, também, colocado em pauta o modo pelo qual a mídia norte-americana irá se relacionar e até mesmo influenciar no andamento de cada governo da América Latina citados anteriormente e a maneira que eles irão lidar com os Estados Unidos e órgãos mundiais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) que utilizava a região como uma espécie de cobaia para os mais diversos testes de programas econômicos e partilhava dos ideários neoliberais nos conformes dos Estados Unidos. Sendo notável o aprofundamento na temática sobre as políticas econômicas de livre mercado historicamente impostas na região e a falha que representaram em amenizar a desigualdade social tão proeminente na América Latina.

O longa se inicia apontando que os Estados Unidos da América só demonstram amizade e inimizade quando o assunto diz respeito aos seus próprios interesses, ou seja, os inimigos dos norte-americanos são aqueles que não estão no seu padrão ou não colaboram com seus objetivos. Dentro dessa perspectiva, o diretor se encontra justamente com aqueles considerados os grandes “nêmesis” dos americanos, começando pelo ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e seus consecutivos embates extremamente acalorados de interesses, nos quais a mídia irá condenar agressivamente, cometendo deslizes e expondo também ignorância visivelmente mal intencionada que deixava claros os reais interesses por trás e, funcionaram como uma espécie de boicote. Sendo que o filme sugere ainda que as calamidades financeiras, como a crise argentina de 2001, conjuntamente às desconfianças dos latino-americanos em relação aos programas estadunidenses de tráfico de drogas e com um ressentimento generalizado em relação às privatizações, contribuíram para a ascensão de líderes socialistas e socialdemocratas na região.

Assim, em uma troca de imagens entre as impressões da mídia norte-americana, o passado de crises dos países sul-americanos e o posicionamento dos novos líderes que representavam a chamada “onda bolivariana” que estava se espalhando pela região, passa a se ter um outro entendimento de como se deu todo esse processo político nesses países e porque muitos apresentavam uma postura, de anti-americanismo para com a figura do ex-presidente Bush, abrindo-se posteriormente ao novo presidente, Barack Hussein Obama.

As reformas sociais e, tentativas estruturais, buscavam dar mais valor ao produto e à população latina, especialmente àqueles historicamente excluídos, entretanto, essa postura significava menos investimentos econômicos entregues ao exterior e foi isso que de fato enfureceu os Estados Unidos e boa parte das organizações internacionais ligadas a ele, especialmente o FMI.

Referências:

Oricchio, Luiz. Ao Sul da Fronteira. Disponível em: <:https://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-zanin/ao-sul-da-fronteira/&gt;. Acesso em: maio de 2019.

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