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Foto por Riya Kumari em Pexels.com

Henrique Kuroda-Acadêmico do 3º Semestre do curso de Relações Internacionais da UNAMA

Nos últimos tempos o mundo demonstrou avanços na área econômica, ainda é notória a presença da pobreza extrema entre parte da população mundial, como demonstrado em diversas pesquisas feitas por organizações internacionais, alertando que a forma de combate à pobreza empreendido pelo Banco Mundial, não cumprirá o prazo estabelecido para sua erradicação, que é no ano de 2030.

Dados do Banco Mundial apontam disparidades internas nos países e nos continentes. A título de exemplo, foi apontado no Brasil que de 2016 para 2018, houve um aumento no número de pessoas que vivem na pobreza extrema, passando de 4,3% para 4,6% da população nacional. Na África Subsaariana, foi emitido um alerta para o crescimento desigual das economias nacionais, podendo aprofundar a miséria para a população local.

Nas palavras de Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial em 2018, é preciso mais investimentos para promover o crescimento inclusivo, de maneira a alcançar os pobres restantes. Este é um projeto de extrema relevância para a sociedade civil, que também pode trazer resultados desvantajosos para um pequeno grupo de empresas e até mesmo Estados, que possuem uma fonte limitada de ideias, se alimentam da miséria e dificuldade de uma parcela da população mundial.

Para o embasamento teórico da breve analise que será feita, utilizaremos Robert Gilpin, que afirma que há uma relação intrínseca entre a economia e o poder político, uma vez que riqueza gera poder, e poder gera riqueza. Em seu pensamento, existe a necessidade de hegemonia, para ter um sistema estável e capaz de fazer empréstimos aos países em vias de desenvolvimento. Na obra, A Economia Política das Relações Internacionais, há uma frase icônica: “Os welfare states são potencialmente muito nacionalistas porque seus governos se tornaram responsáveis perante a cidadania, pela eliminação dos males econômicos, e às vezes a melhor forma de alcançar essa meta é transferir as dificuldades econômicas para outras sociedades” (GILPIN; ,Robert,1987, p.80).

A partir dos pensamentos abordados, podemos compreender que a erradicação da pobreza extrema não interessa a diversos grupos de poder, e que manter países subdesenvolvidos é mais vantajoso para a hegemonia, já que países em desenvolvimento irão depender das linhas de crédito oferecidas pelo país dominante, que visam manter seu domínio no mundo.

Além disso, empresas procuram países com dificuldades econômicas em busca de mão de obra barata e maiores taxas de lucro, mantendo o ciclo contínuo de riqueza e poder. Por fim, transferir as dificuldades econômicas para outros países significa mascarar fatos e manter uma desigualdade mundial.

Referências:

GILPIN, Robert. Et al. A economia política das Relações Internacionais. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 2002

The World Bank. A pobreza extrema mundial continua a baixar mas a um ritmo mais
lento: Banco Mundial.

Disponível em: https://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2018/09/19/decline-of-global-extreme-poverty-continues-but-has-slowed-world-bank; Acesso em: 22 de Abril de 2019

Nações Unidas. Banco Mundial: quase metade da população global vive abaixo da linha
da pobreza.
Disponível em: https://nacoesunidas.org/banco-mundial-quase-metade-da-populacao-global-vive-abaixo-da-linha-da-pobreza/; Acesso em: 20 de Abril de 2019

BBC Brasil. Banco Mundial alerta para crescimento desigual na África.
Disponível em:https://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/11/071114_bancomundialafricarw.shtml; Acesso em: 22 de Abril de 2019