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Maria Eduarda Diniz – acadêmica do 3º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Em um bar, um amigo conta ao diretor Ari Folman sobre um sonho constante que tem, no qual é perseguido por 26 cães ferozes. Através da conversa eles concluem que a imagem tem ligação com sua missão na 1ª Guerra do Líbano, no início dos anos 80, quando defendia o exército de Israel. Como Ari nada se lembra do evento, ele passa a buscar e entrevistar seus velhos companheiros da época, buscando ativar sua memória e ter de volta suas próprias lembranças sobre o ocorrido.

O filme – documentário da vida do diretor Ari, que no longa de animação é o personagem principal, é traduzido por um tipo de desenho com traços pesados, que transforma em caricaturas os personagens da narrativa. Seus rostos adultos ao se lembrar da guerra são impassíveis, quase como se não sentissem nada, porém ao voltarem à juventude, as feições juvenis que nos são apresentadas na tela carregam o fardo da guerra.

À medida que o filme avança e o diretor vai recuperando suas memórias a partir de seus antigos companheiros, vemos críticas sutis, e outras bem explicitas, sobre como a guerra foi conduzida e como isso levou ao massacre de palestinos em Sabra e Shatila.

O interessante é ver que a maioria dos soldados eram jovens que não tinham a menor idéia do que significava guerra. O medo e o pavor os corroíam a ponto de eles atirarem em tudo que se movesse para se prevenir de uma retaliação. E tinham razão para temer, já que eram recrutados aos montes e mortos aos milhares, enquanto os comandantes e os governantes apenas esperavam as noticias e davam ordens, seguros e longe da carnificina. Além disso, como a maioria dos “rebeldes” se disfarçava como civis, as perseguições conseguiam destruir bairros inteiros.

Porém, talvez a coisa mais importante que o filme levanta é o quanto a guerra desumaniza o homem. O longa mostra, por exemplo, como crianças eram usadas para atirar contra as forças israelitas e como revidavam sem nem pensar. Os militares apenas atiravam e esperavam ordens para continuar. Qualquer ameaça que aparecesse, mesmo os cavalos dos árabes, era massacrada. Por isso talvez, o diretor aponta, que as forças israelitas não

impediram os falangistas cristãos de assassinarem famílias inteiras de palestinos. Mesmo aqueles que presenciavam a carnificina, eram ordenados a esperar e não fazer nada, a eles era dito que tudo estava sob controle, e eles nada questionavam. Como poderiam? Foram doutrinados a não perguntar.

À medida em que o diretor recupera suas memórias e vê seu próprio papel nessa história, o telespectador se pergunta se existe alguma vitória na guerra, porque na apresentada ao público, todos os lados perderam.