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Isabele Reis – Acadêmica do 5º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A diplomacia existe há anos como uma forma de resolução pacífica de conflitos e manutenção da harmonia, seja entre povos, empresas ou até mesmo vizinhos. Através dela é possível evitar guerras e tornar a comunicação clara para as partes de um acordo.

A Diplomacia cidadã tem como intuito a promoção pacífica de conflitos por meio da Sociedade Civil, pela participação de seus representantes em processos internacionais. Geralmente formada por professores, estudantes, artistas, humanitários etc. A diplomacia cidadã se torna consistente com a percepção de que a participação da sociedade civil seria imprescindível para a promoção de uma estratégia local de garantia de direitos, e para a criação de projetos alternativos de apoio no desenvolvimento de uma sociedade.

Embora inspirada em ideias da década de 1950, a Diplomacia Cidadã consolida-se quando Edward Azar e John Burton, acadêmicos de Maryland, organizaram workshops voltados para a busca de soluções consensuais para o conflito no Líbano. O resultado foi tão positivo que acabou sendo incorporado no documento negociado no âmbito da diplomacia tradicional, o acordo de Taif, visando o fim da guerra civil no Líbano.

Na atualidade existem diversos grupos de diplomacia cidadã inseridos em resoluções de conflitos. Um exemplo disso é o grupo de resistência civil da Líbia, constituído em sua maioria por professores, estudantes, advogados e soldados; o grupo se uniu contra o regime de Muammar Gaddafi, que estava no poder desde 1969 por meio de um golpe de Estado. Com a iniciativa do grupo de resistência na Líbia, a comunidade internacional iniciou o apoio global em torno das questões de direitos humanos, e logo a ONU (Organização das Nações Unidas) decidiu intervir na guerra do país.

A diplomacia tradicional tem dado cada vez mais espaço para que conflitos sejam resolvidos com a cooperação da sociedade civil global, visto que a mesma pode ser diretamente afetada por conflitos, tendo a capacidade de “opinar” pelas medidas cabíveis a serem tomadas em determinadas situações.

É importante a assimilação de que a Diplomacia Cidadã não visa subsistir a Diplomacia Tradicional, devendo acontecer de forma paralela à diplomacia tradicional, reforçando-a e a enriquecendo.

De acordo com a teoria do tabuleiro tridimensional de Joseph Nye, atualmente os temas globais se tornaram de relevância para todos os atores envolvidos no sistema internacional, sejam eles Estados, empresas transnacionais entre outros. Assim, torna-se perceptível a necessidade de auxílio da diplomacia cidadã em questões internacionais, cujas consequências podem impactar a sociedade civil global direta ou indiretamente.  Desta forma, a Diplomacia Cidadã destaca sua importância no mundo, capaz de moldar o cenário internacional através de suas perspectivas e interesse na paz; e servindo para assegurar o direito e a responsabilidade de todo cidadão de ajudar na formação das relações internacionais, assegurando a manutenção da paz em eventos conflituosos.

Referências:

Understanding Citizen Diplomacy. Disponível em: https://www.centerforcitizendiplomacy.org/about-us/understanding/ acessado em 25 de março

Evaluating and Measuring the Impact of Citizen Diplomacy. Disponível em: https://www.iie.org/Research-and-Insights/Publications/Evaluating-Measuring-Impact-of-Citizen-Diplomacy  acessado em 25 de março

You Are a Citizen Diplomat. Disponível em:

https://www.state.gov/discoverdiplomacy/references/169794.htm acessado em 25 de março