Resultado de imagem para 118 diasMaria Eduarda Diniz – acadêmica do 3º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

É com esta declaração que o discurso dos apoiadores do presidente Ahmadinejad se inicia no filme, isso dá um vislumbre do tratamento que seria dado a todos os sujeitos – contrários ao governo – apresentados ao longo da narrativa, incluindo o próprio Maziar Bahari, que é o protagonista da trama. O filme “118 dias” conta a história real de Bahari, um jornalista iraniano preso e torturado em 2009, durante uma viagem para cobrir as eleições presidenciais iranianas, mas uma suspeita de espionagem e comunicação com a CIA colocou o jornalista contra a parede em um brutal interrogatório de 118 dias.

A história começa mostrando o percurso de Maziar quando voltou ao Irã para cobrir a corrida presidencial que estava acontecendo no momento. Em sua estadia, ele filma todo o alvoroço da população com a possibilidade da mudança para um governo menos violento e mais aberto, na forma do candidato Mousavi. Quando o resultado não é a mudança, mas a continuidade do regime de Ahmadinejad, a população começa a acusar o governo de fraude e toma as ruas, sendo continuamente reprimidos com violência pelas forças policiais, que acreditavam que, assim, os fariam recuar.

A internet ganha papel fundamental para atrair os manifestantes: mesmo com o impedimento do governo sobre o acesso à internet, as hashtags de protestos tomam as redes e continuam a chamar milhares às ruas. Com a violência ainda em curso, Maziar filma um momento de extrema violência contra os manifestantes e decide divulgar para o mundo. No dia seguinte, ele é preso.

O interessante é notar que a prisão dele é uma questão muito mais política. Aqueles que prenderam Maziar queriam usar ele como exemplo, clamavam que não tinham medo do que ele expôs, que não tinham medo da verdade, mas que ele continuaria preso até se confessar um espião americano. Eles queriam que ele mostrasse em rede nacional que só tinha ido ao Irã como parte um plano ocidental para desmantelar o governo iraniano e instaurar a discórdia entre o povo, como aconteceu com o Golpe de Estado de 1953, arquitetado por ingleses e americanos.

O tempo que passou sozinho na prisão, com constantes alucinações de seu pai morto, e com a constante tortura psicológica do “especialista” fizeram com que ele confessasse o crime que não cometeu, com a esperança de voltar para casa. Maziar só foi solto porque sua mãe e esposa mobilizaram a rede internacional e colocaram o regime de Ahmadinejad como um vilão cruel, que aprisiona os seus opositores.

O filme é como um grito pela liberdade. Ele mostra um povo, constantemente visto como pária e vitima internacional, protagonista da própria luta. O medo não parava as multidões de irem às ruas. O medo não fez os amigos presos de Madiar confessarem nada. O medo não impediu a criança, no fim de toda a trama, gravar o momento em que militares do governante destroem antenas clandestinas que serviam para levar internet aquela região. O filme é como um grito de que o medo não para a luta pela liberdade.