hobbesleviathan1030x785Maria Eduarda Diniz – acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Thomas Hobbes foi um teórico político, filósofo e matemático inglês, nascido em 5 de abril de 1588, na Inglaterra. Sua vida foi profundamente marcada pela monarquia. Durante a infância, viveu o medo da invasão espanhola, no período do governo de Elizabeth I, e, na vida adulta, viu o absolutismo monárquico ser substituído pela monarquia parlamentarista, como conseqüência da Revolução Gloriosa. Além disso, conviveu com grandes figuras de seu período como Francis Bacon e John Locke, outro importante autor contratualista, além de ver em primeira mão o começo o declínio do pensamento aristotélico, imprescindível para um bom acadêmico da época, graças às descobertas de Kepler e Galileu. Acredita-se que escreveu o Leviatã para defender a monarquia absolutista como governo forte, capaz de impedir guerras civis e, portanto, garantir a segurança, depois da guerra civil que testemunhara durante a Revolução. Hobbes morreu em Weltshire, Inglaterra, em 4 de dezembro de 1679, com 91 anos de idade.

A chave para entender o pensamento de Hobbes é entender como ele enxerga o estado de natureza, ou seja, o que existia antes da criação do Estado e como isso levou a firmação do contrato entre o Estado e a sociedade. Do ponto de vista hobbesiano, o Estado, ou Leviatã, foi necessário para impor a ordem e promover a segurança entre as pessoas porque, para ele, os homens viviam num estado de guerra, em que todos lutavam uns contra os outros. Ele aponta que, no estado de natureza, todos eram livres, porém, por serem livres, a sociedade vivia em constante conflito, já que quando dois homens desejavam o mesmo e ao mesmo tempo, isso levava ao conflito. Por isso o contrato social foi necessário para que a segurança se instaurasse entre os homens.

Apesar de Hobbes nunca ter discorrido sobre o sistema internacional, muitos estudiosos, especialmente os da vertente realista, utilizam o pensamento dele para explicar a anarquia, que não deve ser confundida com caos neste caso, desse sistema. Segundo essa análise, os Estados viveriam entrando em conflito uns com os outros pela ausência de um Super-Estado, ou um Super-Leviatã, porque, apesar de os Estados serem racionais, ainda apresentam interesses e quando os interesses de dois ou mais leviatãs se chocam, acontece a guerra. Sem um Super Leviatã para impedir o conflito entre os Estados, a guerra continuaria a ser uma constante no sistema.

“A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isso em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que outro não possa também aspirar, tal como ele.” (LEVIATÃ, capítulo XIII, página 74)

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRAZÃO, Dilva. Thomas Hobbes. Disponível em: < https://www.ebiografia.com/thomas_hobbes/&gt; Acessado em 15 de março de 2019.

HOBBES, Thomas. O Leviatão. Blue Editora, 2018.

WEFFORT, Francisco C. Os clássicos da política. Editora Ática, 2011.