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João Caio Oliveira da Cunha – Acadêmico do 3º Semestre de Relações Internacionais na UNAMA

A relação entre o Brasil e os Estados Unidos inicialmente estabeleceu-se de modo pragmático, através de Getúlio Vargas e seus ideais da época, os quais detinham como característica da política externa o pragmatismo ecumênico, primordial para o êxito do processo de urbanização brasileiro que – até o início da 2ª guerra mundial – possuía acordos com a Alemanha e com os EUA. Contudo, no auge da guerra, o governo vigente da época sentiu a extrema necessidade de cortar relações com a Alemanha e reforçar sua parceria com a política americana, de modo que pudesse se estender até o fim do governo, cuja decisão permaneceu intacta após a eleição de Dutra, mantendo o viés da bipolaridade e o alinhamento automático.

À medida com que o tempo passou, a política brasileira se modificou, buscando sempre se atualizar de maneira eficaz e se adaptar junto às relações exteriores. No contexto brasileiro veio a ditadura militar, trazendo consigo seu primeiro presidente: Castello Branco, o qual rompeu com a política externa independente de Jânio Quadros e João Goulart aproximando-se bem mais dos Estados Unidos, ora por questões econômicas, ora por ideologias semelhantes. Tal aproximação citada anteriormente ocorre no cenário atual pela relação estabelecida pelos atuais presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump. Alguns aspectos a cerca dessa proximidade podem gerar problemas futuros ao país, como o afastamento dos BRICS. Logo, há a perda da economia brasileira frente à parceiros econômicos altamente rentáveis.

De acordo a Teoria de Análise Sistêmica de John J. Mearsheimer (2001), o comportamento dos atores define e é definido pela estrutura do sistema internacional. O novo alinhamento específico construído com os EUA ao que diz respeito à presidência atual, cuja tem uma visão bastante ideologizada do mundo, fez com que nosso país compactuasse a isto em uma espécie de unificação, ignorando os próprios interesses e pondo em risco um mercado de exportação muito forte com outros países.

Através da análise sistêmica, é possível compreender que Bolsonaro aparentemente encaixa-se por “copiar” Trump e, também, algumas de suas medidas como transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, atitude que pode agitar a tradição de neutralidade presente dentro da política externa brasileira e aumentar a tensão naquela região. Como consequência disso, as exportações brasileiras de carnes para países árabes podem diminuir consideravelmente dentro da conjuntura atual.

As polêmicas envolvendo imigrantes presentes em ambos os países, inclusive a não participação do Pacto Global de Migrações da ONU, reforçam o desejo de seletividade frente aos estrangeiros que ingressam nos territórios em questão, optando em detrimento de pessoas originalmente de países desenvolvidos, o que resulta em uma tensão social tratando-se de países emergentes.

O mesmo também ocorre em a relação às alianças econômicas que o Brasil estabelece, uma matéria realizada através do site do Senado aponta a relação do Brasil em blocos econômicos como muito mais rentáveis do que com os EUA, nos últimos 10 anos o Brasil teve um superávit de U$87,6 bilhões, e com os Estados Unidos um déficit de U$44.6 bilhões e mesmo não tendo uma balança favorável em relação aos norte-americanos, o governo ainda o prioriza frente à vantagem que tem no MERCOSUL. De todo modo, o espelho e segurança que o governo atual brasileiro deposita no governo americano, podem estar sendo superestimados e, portanto, prejudicar ainda mais a economia brasileira, a qual precisa urgentemente criar seus próprios critérios e seguir sua linha sem tomar como base uma realidade que não a pertence.

Referencias:

BULLA, Beatriz. Brasil, EUA e o alinhamento automático. Disponível em: <https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,a-volta-do-alinhamento-automatico,70002673002&gt;. Acesso em: março 2019.

BULLA, Beatriz. Bolsonaro na Casa Branca. Disponível em: <https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,bolsonaro-na-casa-branca,70002753893&gt;. Acesso em: março 2019

PINHEIRO, Letícia. A política externa de Vargas. Disponível em: < https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/EleVoltou/PoliticaExterna&gt;. Acesso em março de 2019.

Da Redação. A possibilidade do Brasil sair do Mercosul é criticada no CRE. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/11/21/possibilidade-de-o-brasil-sair-do-mercosul-e-criticada-na-cre. Acesso em: março 2019