O compasso da indecisão Brexit

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Adenilson Costa Corrêa – Acadêmico do 8º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Brexit – (Britain exit) se tornou a sigla de maior importância para o Reino Unido, desde que o referendo aprovado em 2016, optou a sua saída da União Europeia (UE). O inicio do processo de saída datado do dia 29 de março de 2017, quando a primeira ministra Theresa May formalizou o comunicado de saída através do artigo 50 do tratado de Lisboa, abrindo um período hábil de dois anos de negociações para ajustamentos e acordos entre o Reino Unido e o bloco europeu.

Para compreender o atual cenário de separação entre o Reino Unido e o bloco europeu, que até então se conformava estável, Robert Gilpin (2001) ressalta que o embate, no campo da economia política internacional (EPI), persiste entre a crescente interdependência da economia internacional e do desejo individual de estados para manter sua independência econômica e autonomia política. De modo que da mesma forma que os estados querem os benefícios do livre comércio, investimento estrangeiro, e assim por diante, eles também desejam proteger sua autonomia política, valores culturais e estruturas sociais mantidos por seu welfare state.

Nessa concepção o debate no parlamento britânico é continuo e divergente, as seguidas negativas as propostas apresentadas pela primeira ministra mantém o Reino Unido em um estado de instabilidade política e econômica, visto que ainda não se determinou um consenso sobre em que termos a saída será realizada e até mesmo se a saída se concretizará.

Tais instabilidades ocorreram devido aos seguidos votos de desconfiança para retirar a liderança do processo das mãos de Theresa May e também à possibilidade do reino unido sair do bloco sem um acordo de livre comercio com a união europeia, significando uma saída sem nenhum período de transição poderia provocar perdas econômicas em curto prazo, evasão de capitais de investimento, relativos problemas de desabastecimento de comida e remédios e a desvalorização da libra esterlina.

Apesar dessa possibilidade, mesmo o movimento pró Brexit que parte de uma perspectiva econômica nacionalista e consequentemente realista visando reaver sua autonomia política dentro do Reino Unido e diminuir sua vulnerabilidade econômica frente às decisões em conjunto com a união europeia, até o momento não se mostra estar disposta a sair sem um acordo.

A maior critica a condução do processo é a má evolução das negociações para aprovar uma proposta, a dissidência dentro do próprio partido da primeira ministra é um reflexo dessa situação, apesar dos pontos de maior preocupação já terem sido pré-acordados com a união europeia como a não criação de fronteira dura com a Irlanda do Norte sobe um período de transição, conseguir um amplo apoio se tornou um grande desafio para Theresa May. Tal indecisão possivelmente levará a um pedido de adiamento do Brexit (extensão do artigo 50) no dia 14 de março, deixando a decisão para os 27 membros da UE, se aprovado um período de até três meses se iniciará para a aprovação de um acordo entre as partes.

De uma forma ou de outra o prazo de saída do Reino Unido da União Europeia foi inicialmente estipulado para o dia 29 de março de 2019, e a não aprovação de um acordo até a data demonstra fragilidade e esse evidente desacordo entre governo e oposição suscita que será necessário muito mais tempo para se chegar a uma conclusão minimamente satisfatória para ambas as partes, o que já é questionado por lideranças da UE como o próprio Emmanuel Macron, ao dizer que poderia bloquear a extensão do artigo 50 se o mesmo não tivesse um objetivo claro.

No mais, além dos entraves que possam ser levantados pela UE, o fato é que o futuro do Brexit esta inteiramente na mão de seu parlamento e dessa forma nenhuma das opções de ação foi descartada, em ultima instancia a primeira ministra pode tentar por uma terceira vez aprovar o acordo, tentar uma renegociação sobre os termos estabelecidos ou seguir pelo caminho mais difícil de sair sem um acordo.

REFERÊNCIAS

GILPIN, R.; GILPIN, J. Global Political Economy: Understanding the International Economic Order.Princeton: Princeton University Press, 2001, pg. 77- 83.

https://www.bbc.com/news/uk-politics-47482047

https://www.bbc.com/news/business-47458922

https://www.bbc.com/news/uk-politics-46393399

https://www.economist.com/britain/2019/03/12/theresa-mays-brexit-deal-fails-again

https://www.independent.co.uk/news/uk/politics/brexit-delay-vote-article-50-michel-barnier-eu-theresa-may-speech-a8820501.html

https://www.irishtimes.com/news/world/brexit/brexit-the-facts

https://www.irishtimes.com/news/world/brexit/brexit-explained-what-is-the-transition-period-and-why-is-it-so-important-1.3671622

https://www.irishtimes.com/news/politics/brexit-explained-why-does-the-border-matter-and-what-is-the-backstop-1.3661518

 

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