Personalidade: O impacto de Michelle Obama

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Julienny Corrêa – Internacionalista formada pela Universidade da Amazônia

É notável a crescente relevância de Michelle Obama não apenas para a política internacional, mas também sua atuação na sociedade norte-americana que possui um passado – recente – de segregação racial e uma atualidade marcada pelo crescimento de movimentos supremacistas. Nesse sentido, o impacto cultural de Michelle é tão profundo que foi eleita a mulher mais admirada nos Estados Unidos no final de 2018, de acordo com pesquisas do Instituto Gallup.

Michelle LaVaughn Robinson cresceu no Sul de Chicago para onde seu avô paterno fugiu da Carolina do Sul em meados de 1900, onde o tataravô paterno de Michelle, Jim Robinson, foi escravo. Michelle formou-se em Sociologia pela Universidade de Princeton em 1985 com a tese “Princeton-Educated Blacks and the Black Community” e seguiu para a Escola de Direito de Harvard atingindo o título de doutorado jurídico em 1988 (ROGAK, 2009).

Michelle trabalhou na firma de advocacia Sidley Austin e pouco tempo depois como diretora executiva da Public Allies, em 1996 tornou-se reitora associada da Universidade de Chicago, onde criou o primeiro programa de serviço comunitário da Universidade. Trabalhou na Prefeitura até que em 2005 tornou-se vice-presidente de Relações Comunitárias e Assuntos Externos do Centro Médico da Universidade de Chicago (Ibid, 2009).

A primeira aparição em nível nacional de Michelle ocorreu em 2004 quando seu marido, Barack Obama, foi responsável pelo discurso na Convenção Nacional Democrata e em 2007 quando anunciou sua candidatura para presidência. Em 2009 Michelle Obama tornou-se a primeira mulher afro-americana a ser primeira-dama nos Estados Unidos por oito anos ao longo destes anos a representação de Michelle demonstrou possibilidade de exercer cidadania em um país marcado por desigualdades (GRIFFIN, 2011).

O período de campanha e governo Obama, assim como toda a trajetória de Michelle, não ocorreram ilesas de racismo e misoginia, Obama chegou a ser associado ao terrorismo, enquanto Michelle foi rotulada de “antipatriota”, “irritada”, “mandona” e até mesmo “perigosa”, além de ter recibo insultos raciais, como “macaca de salto”, em inúmeras ocasiões (Ibid, 2011; El País, 2017).

Como primeira-dama Michelle demonstrou profissionalismo, liderança e muita dedicação, com uma carreira acadêmica e profissional bastante competente, construiu um vínculo de credibilidade com a sociedade tão forte que chegou a ser convidada a candidatar-se à Presidência. Nesse sentido, os conceitos de ser norte-americano e viver o “American Dream” passaram a ser reconstruídos para reconhecer pessoas que historicamente foram negligenciadas nos sistemas sociais e políticos, na mesma medida em que a posição da mulher para além dos papéis de mãe e esposa também foram desenvolvidos.

A admiração e aceitação de Michelle foi um processo longo, necessário e muito significativo, embora a ocupação de primeira-dama seja tradicional, Michelle representou um papel relativamente novo para mulheres negras, e ainda, sua credibilidade incentiva mulheres a estarem ocupando cargos políticos e presidenciais.

Nas palavras de Angela Davis (2017) “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras”, portanto, Michelle Obama representa uma ruptura nas relações de poder e colabora com a desconstrução de papéis sociais, de padrão de beleza, de limitações sociais e evidencia o grande potencial da atuação de mulheres em posições de liderança internacional.

Referencias:

ALVES, Alê. Angela Davis: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/27/politica/1501114503_610956.html&gt;. Acesso em: 04 mar. 2019.

El País. Michelle Obama diz que sofreu racismo até quando era primeira-dama. Disponível em: < https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/27/estilo/1501170456_900751.html>. Acesso em: 04 mar. 2019.

GRIFFIN, Farah Jasmine. At Last…? Michelle Obama, Beyoncé, Race & History. Daedalus: American Academy of Arts & Sciences. Vol. 140, n. 1, pp: 131-141. 2011. Disponível em: < https://www.mitpressjournals.org/doi/pdf/10.1162/DAED_a_00065>. Acesso em: 04 mar. 2019.

JONES, Jeffrey M. Michelle Obama ends Hillary Clinton’s run as most admired. Disponível em: <https://news.gallup.com/poll/245669/michelle-obama-ends-hillary-clinton-run-admired.aspx>. Acesso em: 04 mar. 2019.

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