FRANCE-SOCIAL-POLITICS-ENVIRONMENT-OIL-DEMO


Larissa Lacerda – Acadêmica do 5º semestre de Relações internacionais da UNAMA

       No último mês de outubro (2018), ascendeu na França uma série de protesto populares de caráter reivindicatório de direitos, denominado por Coletes Amarelos. O movimento aconteceu após o presidente francês Emmanuel Macron repassar a taxa a emissão de carbono sobre utilização ao consumidor final, visando o desestímulo do uso de automóveis. A medida elevou acima da média do reajuste os produtos energéticos – 25% gás, 15% gasolina – insumos os quais fazem parte do dia-a-dia da maioria da população trabalhadora e de zonas rurais, causando o aumento do custo de vida.

Os manifestantes reivindicam a redução dos impostos sobre combustíveis, reintrodução de impostos sobre fortunas, entre outros pedidos. Os protestos que se estendem desde então com diversas manifestações argumentam que a alta dos impostos não deveria recair no consumidor final, uma vez que os motivos da necessidade de taxar o carbono não está ligado diretamente a eles.

A partir destas informações podemos pensar sobre o que foi postulado por Linklater sobre o desenvolvimento das formas de organização política na redução da desigualdade material e a expansão das fronteiras políticas, de forma a integrar mais os indivíduos, incluindo os que estão à margem da sociedade – aqui personificados como a população francesa trabalhadora e de zonas rurais.

Ao compreendermos as dimensões propostas pelo autor visualizamos o processo de transformação social a partir do contexto histórico francês e o universalismo democrático o qual sensibiliza e traz à luz as formas injustas de exclusão e dominação. Assim, há a necessidade de uma expansão dessas comunidades discursivas para chegar aos indivíduos excluídos garantindo que todos os seres afetados pelas decisões possam, participar das concepções gerando um processo mais inclusivo, justo e democrático.

Posto isto, ao analisarmos a atuação popular francesa, sem lobby político organizando seus protestos e dadas as condições de serem indivíduos que estão à das decisões políticas, podemos compreender que os protestos exprimem a forma de concretizar o universalismo democrático. Colocou-se em voga a voz de uma parte significante da sociedade que demanda e faz contraposição aos direitos e deveres propostos pelo Estado francês que não lhes atende.

É a sociedade civil francesa marginalizada pelas políticas públicas expandindo as dimensões das fronteiras políticas integrando os indivíduos às práticas públicas, diversificando o ambiente político afim de reduzir as desigualdades materiais e colocando em destaque sua existência e demandas.

Fontes:

Enciclopédia das Relações Internacionais, 2014, Nuno Canas Mendes, Francisco Pereira Coutinho (Org.) e Publicações Dom Quixote

Caso coletes amarelos: Macron especifica suas medidas, disponível em: http://pt.rfi.fr/franca/20181219-caso-coletes-amarelos-macron-especifica-suas-medidas

A revolta francesa que emparedou o presidente Emmanuel Macron. Disponível em: https://epoca.globo.com/coletes-amarelos-revolta-francesa-que-emparedou-presidente-emmanuel-macron-23285870

Liberté, égalité, fiscalité, Jean-Pierre Boris para RFI. Disponível em: http://www.rfi.fr/emission/20190223-france-gilets-jaunes-isf-liberte-egalite-fiscalite-impot-fortune

Os ‘coletes amarelos’, efeito da globalização. El País, Christophe Guilluy. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/15/internacional/1544885969_501459.html

AMPLIAÇÃO DA COMUNIDADE POLITICA – COSMOPOLITISMO E ÉTICA DIALÓGICA EM ANDREW LINKATER. Puc Rio. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/10849/10849_3.PDF